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Diário da Região

29/07/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

O palhaço e a aldeia em chamas

Painel de Ideias

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Em seu livro Introdução ao Cristianismo, Joseph Ratzinger, Papa Emérito, fala sobre a descrença, a incredulidade, e recorre, inicialmente, a um conto de Kierkegaard, onde um palhaço não é levado a sério, quando, na verdade, deveria sê-lo.

A estória conta como um circo ambulante na Dinamarca pegou fogo. O diretor manda à aldeia vizinha o palhaço, já caracterizado para a representação, em busca de auxílio, tanto mais que havia perigo de alastrarem-se as chamas através dos campos secos, alcançando a própria aldeia.

O palhaço corre à aldeia e suplica aos moradores que venham com urgência ajudar a apagar as chamas do circo incendiado. Mas os habitantes tomam os gritos do palhaço por um formidável truque de publicidade para aliciá-los ao espetáculo; aplaudem-no e riem a bandeiras despregadas. O palhaço sente mais vontade de chorar do que de rir. Inutilmente, tenta conjurar os homem e esclarecer-lhes de que não se trata de propaganda alguma, nem de fingimento ou truque, mas de coisa muito séria, porquanto o circo realmente está a arder. Seu esforço apenas aumenta a hilaridade até que, por fim, o fogo alcança a aldeia, tornando excessivamente tardia qualquer tentativa de auxílio; circo e aldeia tornam-se presa das chamas.

Enquanto o Papa Emérito consegue, por sua maestria intelectual, associar essa imagem aos religiosos, hoje, parecidos ao palhaço do conto, pois não conseguem convencer as pessoas da seriedade do seu tema, tento aqui, toscamente, outra analogia para o problema que nos toca todos os dias, relativamente às drogas e à juventude.

Há muito nos alertam sobre a proliferação das drogas no País e a desgraça decorrente. Por nossas fronteiras toneladas de entorpecentes chegam às cidades brasileiras. O Brasil ruma para ser o maior consumidor de cocaína, crack e maconha, juntos, do mundo. Com isso, o crime organizado do narcotráfico é uma potência econômica e uma ameaça constante a todos. Famílias estão sendo destroçadas, crianças maltratadas e abandonadas, pessoas doentes e crimes cometidos, em função das drogas, quer pelo tráfico, quer pelo consumo, avolumam-se absurdamente.

Ainda assim, parece que não tomamos consciência plena de que o circo está ardendo em chamas, pois a realidade só faz piorar. Debitamos toda a tarefa sobre os ombros da polícia, quando a lei diz que a segurança é responsabilidade de todos nós. Pouco ou nenhum cuidado temos com o álcool e os menores de 18 anos, quando sabemos dos malefícios dessa droga a quem está em formação. Consumidores festivos de maconha e cocaína, em festas insuspeitas, não se importam de quem compram a droga, se estão ou não fomentando um mercado sangrento que decepa vidas, inclusive de menores de idade e por aí vai.

Não damos muito crédito a quem nos avisa. Mas o nosso exame de consciência deve ser mais radical. Pois o fogo já levou a lona. O mastro está prestes a cair.

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