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Diário da Região

31/07/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

O Código Civil e o serzinho

Painel de Ideias

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Remexendo jornais velhos, para descarte, encontro o artigo do juiz Evandro Pelarin, da Vara da Infância e Juventude, ressaltando a importância da autoridade paterna. Agora o serzinho vai ver. Do alto de seus 7 anos, é dado a empinar o nariz e discursar contra determinações minhas ou da mãe. Que se cuide. Afinal, temos um juiz do nosso lado.

Sob o título de “Pais exigentes, filhos amorosos”, o artigo de Pelarin recorre ao Código Civil Brasileiro para justificar a necessidade de os pais exercerem uma autoridade inflexível e permanente. O texto até atenua o rigor ao ressalvar que “a lei não afasta o diálogo, a participação dos filhos nas decisões familiares.” Mas, adverte sobre casos extremos: “Numa relação entre pais e filhos não há igualdade. Pela lei, os pais são obrigados a mandar e os filhos a obedecer.”

Tomou, papudinho? Esta foi para você. Está no Código Civil! Entendeu bem? Não é gibi de Pokémon, não! Có-di-go-ci-vil!

A atuação do magistrado, muito firme diante de infrações adolescentes, já formou admiradores na comarca, que hão de entender minha bronca. Por isso, peço licença para resgatar uma discussão dele com a mãe. Estávamos, naquela noite, no barzinho da esquina, a um quarteirão de casa. A certo momento, a mãe diz-lhe que precisamos ir, já que as aulas começam muito cedo e ele tem de dormir logo. A resposta é o drama de sempre:

– Odeio dormir, odeio acordar cedo.

Acostumada aos exageros, a mãe apenas rebate:

– Ódio não faz bem. Leve sua vida com alegria e você se sentirá melhor.

– Odeio a vida. Odeio a alegria.

Bem-humorada, ela canta versos do “Samba da Bênção”, de Vinícius e Baden: – “É melhor ser alegre que ser triste/ Alegria é a melhor coisa que existe/ É assim como a luz no coração.”

O olhinho dele brilha. Encara e desafia:

– Continue.

Ela desconfia e tenta evitar a armadilha:

– Não, eu gosto só desse trechinho.

Ele insiste:

– Continue. Cante o resto. Vamos ver se só a alegria faz coisas boas.

O malandro conhece a letra do samba. E a usa para marcar posição. Afinal, a sequência todos sabem:

– “Mas pra fazer um samba com beleza/ É preciso um bocado de tristeza/ É preciso um bocado de tristeza/ Senão não se faz um samba não.”

Se o artigo do juiz tivesse sido publicado antes, eu já agitaria a lei nas fuças dele. Tem de ser alegre! Pai e mãe mandam, filho obedece.

Ou não? Ou devo confiar que opiniões contrárias entre pais e filhos podem enriquecer a relação, aprimorar o diálogo e nos unir mais do que nos afastar? Alguém arrisca uma opinião?

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