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Diário da Região

20/08/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Mordida de amor

Painel de Ideias

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Ganhou bronze, prata ou ouro? Não importa! O gostoso é morder a medalha! É o tal sabor da vitória! Fez bonito, sobe no pódio e morde! É a prova dos nove, o tira-teima dos segundos seguintes à exaustão, entre o êxtase e a realidade vitoriosa.

Tem quem morde e depois assopra num beijinho, tipo vem cá, bonita, me fez sofrer pra te conquistar, então quero ver se isso aqui é verdade mesmo ou se é só delírio desse corpo cansado.

Gosto do metal entre os dentes, rapidinho também já sela com um beijo a prova reluzente do sucesso. Nunca fui campeã de nada e em nada, mas compreendo esses atletas que vencem. Tem coisas que são tão incríveis na vida que a gente quer mesmo é morder pra provar nosso amor e alegria por aquilo.

Essa semana eu quase dei duas mordidas! Foi por pouco! Achei que não ia pegar bem morder um poeta já grisalho numa noite, e no dia seguinte, mordiscar num recém-nascido. Mas foi tanta alegria que senti ao conhecer o autor de poesias tão lindas que por pouco, ao invés de beijá-lo, não mordi pra ver se o cara era real.

A outra situação foi com um sobrinho-neto que conheci em São Paulo. Queria dar uma mordidinha naquela medalha de ouro que uma amiga irmã ganhou como neto. De novo me contive, mas juro, ia ser de leve, só pra sentir o gostinho do Joaquim, uma pintura de Deus com grandes, enormes, todas as chances de ser campeão na vida.

Enfim, são instantes tão mágicos, feito medalhas, que a gente não sabe se morde a própria gola da roupa, ou se se belisca, tentando sair da área do mico, de ser a doida da vez.

Quando a emoção extrapola os poros, o amor é o dono da história. Amor pelo que se se tornou; pelo que se permitiu, pelo conhecimento e novas escolhas, decisão, investimento em poder de vida. Um poema, um livro, um filho, um neto, um sarau, um pódio, uma prova, um sorriso, um perdão, suor frio, uma lágrima, um suspiro, novos amigos, velhos amigos, o tempo que segue cumprindo seus desígnios em quem se habilita, coopera, se dispõe. Tudo é amor. É Deus mexendo os pauzinhos. Amor no seu sentido mais inefável: o da plenitude. De sair do raso e mergulhar. Morder mesmo o objeto de seu mais apaixonado e instantâneo desejo. De verificar se tem coração no teu caminho e simplesmente ir.

Encerro com uma palhinha de Luís Augusto Cassas, que se livrou de minha mordida. Eis o que diz o poeta sobre ele mesmo a respeito do que eu penso sobre, enfim, dar uma mordida de amor. “Sabe que o caminho é cheio de pântanos e pedras. Sempre existirá uma pedra no meio do caminho. Mas sabe que a busca passa por trevas e pedras para desembocar na luz. Por via das dúvidas ou dúvidas da via, sabe que o caminho da totalidade é mais doloroso e solitário, mas talvez seja a única via - para que nada se perca e tudo seja salvo - do batismo de fogo da sua iluminação.”

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