Diário da Região

28/06/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Luta pelo direito

Painel de Ideias

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Fui ao cinema assistir ao filme “Como eu era antes de você”, baseado na obra de Jojo Moyes. Em resumo, o personagem Will sofre um acidente e, paralisado e cadeirante, opta pela eutanásia. Os espectadores esperam que sua cuidadora Louisa Clark consiga demovê-lo da ideia de morrer. No fim, com apoio dos pais e da amada, o jovem recebe a injeção ambígua: para uns, libertação, para outros, covardia. Assim como nos excelentes “Menina de Ouro” e “Intocáveis”, o cinema traz a necessidade de o ser humano conversar com os familiares a respeito de vontades e de limitações. Precisamos falar sobre acidentes, tratamentos médicos, morte. Um tanto mórbido, mas impositivo.

Os gregos definiam a eutanásia de modo positivo: boa morte. A abreviação da vida de enfermo incurável, controlada e assistida por especialista, advém do desligamento de aparelhos médicos ou da aplicação de injeção letal. Constitui um suicídio assistido nos países que aceitam a prática (Suíça, Holanda). Trata-se de crime nos países que a rechaçam (Brasil e nações onde predomina a tradição cristã nas leis). A eutanásia eugênica, herança de Esparta e dos horrores do nazismo, permanece inquietante nas clínicas obscuras de fertilização nas quais escolhas discutíveis levam ao descarte de embriões e de fetos considerados ineptos por seus pais obcecados pela perfeição, pelo padrão, pela superioridade. Impossível não relembrar a Eugênia de Machado.

Na medicina, há outros conceitos controversos. De início, a ortotanásia: redução gradual de esforços terapêuticos usados para prolongar a vida, morte natural. Em seguida e em contrapartida, a distanásia: adoção de todas as medidas cabíveis para prolongar a vida. A primeira abdica do uso de aparelhos de respiração. A segunda admite a liquidação de patrimônio em busca de tratamento e a permanência do doente em estado comatoso por tempo indeterminado. Por fim, há a mistanásia, morte social de pacientes que enfrentam a falência material e ética dos sistemas de saúde: não há leito, não há médico, não há remédio.

Indubitavelmente, a eutanásia representa uma questão de bioética e de direito: deve prevalecer a vontade do paciente e de sua família? Devem prevalecer a legislação e as normas dos códigos de conduta? Deve o Estado permitir a eutanásia e aceitar a liberdade de escolha do ser humano, criatura dotada de arbítrio e condenada a ser livre? Deve o Estado podar liberdades julgadas atentatórias aos costumes gerais do homem, criatura bestial capaz de prejudicar outrem e a si própria? No Brasil, morremos na fila do SUS contra nossa vontade, mas não podemos tomar injeção letal quando assim desejamos.

Eu quis muito que Will vivesse. Desejei sua resiliência, sua superação. Chorei sua decisão, sua morte, a perda precoce de sua vida. Contudo, não o julgo um monstro egoísta e cético. Aceito sua vontade simplesmente porque não é a minha. Finalizo com algumas falas do filme: muitas vezes, não podemos mudar as pessoas e o seu jeito de pensar.

O que podemos fazer? Amar as pessoas e respeitar suas decisões autônomas. E você? Já fez um testamento vital? Quando a indesejada das gentes chegar, luta pela vida? Ou luta pelo direito de morrer?

 

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