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Diário da Região

16/11/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Inconsciências

Painel de Ideias

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Minha caixa de entrada está lotada. Querem que eu represente por aí algo que pra mim não se trata de representação: ser negro. Chegou o mês da consciência negra e é aí que todo mundo se diz consciente durante um espaço de trinta dias.

Mais do que as consciências venho tentando provocar durante todo ano as inconsciências. As ações inconscientes que alimentam as problemáticas da negritude. As demonstrações de consciência nesse período que me procuram não me comovem tanto quanto uma reflexão diária. E mesmo que o assunto cause ainda resistência quando levantado fora do mês dedicado a ele, precisamos compreender a importância de discutir sempre o que envolve o “ser negro” no Brasil, o racismo, o racismo estrutural, o apagamento de parte da nossa história, o desconhecimento de nossa cultura, etc. E quando digo “nossa”, digo de todos nós, negros e não negros, pois fomos todos privados de nos envolver e respeitar nossas heranças africanas e afrobrasileiras, sejam elas biológicas, genealógicas, musicais, religiosas, políticas, linguísticas, enfim...

Acho importante que seja mesmo institucionalizada uma data de reflexão, porque é a prova de um reconhecimento legal de que as problemáticas, a história e a cultura negra fazem parte das nossas relações e vidas. Porém, não há transformação em único dia, nem em uma única semana, nem em único mês. É nessas datas que percebo que existe um interesse artificial pautado numa exotificação da cultura africana e afrobrasileira e em certa redenção por ter esquecido, ignorado ou até mesmo rechaçado o assunto em todo resto do ano. É a partir desse desespero que as caixas de entrada daqueles envolvidos e comprometidos com as pautas do movimento negro lotam nesse mês.

O Enem trouxe nos últimos dias como temática de redação a intolerância religiosa. É sabido por todos nós os ataques que integrantes e espaços de religiões de matriz africana vêm sofrendo, mas pouquíssimas pessoas e em poucos ambientes escolares se discute o fato de que a demonização dessas religiões é uma consequência de um processo histórico racista.

Não sei se os alunos que prestaram a prova tinham conhecimento desse fato. Porém, em novembro, manifestações diretamente ligadas à essas religiões se tornam “artísticas”, quase folclóricas, nas mesmas escolas desses alunos, como representações da cultura negra. É assim que a consciência negra se torna algo artificial diante das inconsciências do dia-a-dia.

Semana que vem muitos de nós estaremos em lugares em que, por algum motivo, achamos importante estar. A ocupação de espaços e a representatividade são também maneiras para essa tomada de consciência. Espero apenas que não tenha data de validade e que todos nós tomemos consciência real de que ser consciente exige tempo, interesse e responsabilidade.

 

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