Diário da Região

05/07/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Fogo não se ‘prega’

Painel de Ideias

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A expressão “prega fogo” já morreu, nem o Google a reconhece, mas aquilo que ela significa está muito vivo no nosso dia a dia! “Pregam-se fogos” como nunca, tanto do lado marginal quanto do lado oficial.

Pouco depois de quando passamos a andar com apenas duas patas e, portanto, deixamos de ser quadrúpedes, tornamo-nos civilizados, com ideias, costumes, educação, urbanidade, etc. Isto é, passamos a ter como munição a cultura, os modos, a formação cívica, e paramos de “pregar fogo” uns nos outros.

Para os menores de quarenta anos, pregar fogo correspondia a dizer “atirar” com um revólver, espingarda ou qualquer arma (justamente) de fogo.

Só que, de uns anos para cá, têm ocorrido fatos que nos espantam!

Menores ou maiores boletados, cheirados ou fumados simplesmente “pregam fogo” em qualquer um que tentam, por exemplo, assaltar, e que não lhes entregam o telefone celular. E li na imprensa, na semana passada, que a Polícia Militar e a Guarda Civil de São Paulo “pregaram fogo” num universitário de 24 anos, que desobedeceu a uma ordem... de parar. Não vai me dar um celular? Morra! Não quer parar? Morra!

Nunca duvidei da efemeridade da vida. Acompanhei muitas pessoas queridas, assim, do nada, morrerem de infarto horas depois de nosso encontro. Mas esse descaramento, atrevimento e mesmo cinismo em se “pregar fogo” nas pessoas têm me deixado perplexo e temeroso.

Em março deste ano, um estudo denominado Atlas da Violência, feito em parceria pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, demonstrou que o nosso país deteve, em 2014, o primeiro lugar no ranking mundial de homicídios. Em termos relativos, esse número “equivale a uma taxa de 29,1 mortes por 100 mil habitantes”. Ou seja, matematicamente, estamos mais propensos a morrer assassinados do que a ganhar na loteria, já que jogando “pesado”, digamos “sete números” na Mega Sena, a probabilidade de ganharmos é de uma em 7,1 milhões.

Para não perder a estatística, li que a Polícia Militar de São Paulo, com 87 mil homens (35 mil deles na capital), foi responsável por 580 mortes no ano passado, isto é, uma morte para cada 150 policiais. Enquanto o restante da população civil (43 milhões de habitantes) propiciou 3.177 mortes, ou seja, uma morte para cada 13.534 habitantes. Isso também quer dizer que uma em cada quatro pessoas assassinadas em São Paulo foi morta pela polícia. Você dirá, mas a polícia lida especificamente com o crime. Então, não seria justamente por ter essa experiência, que tais números se tornam injustificáveis?

E o pior é quando entramos em dados estatísticos acerca da cor, faixa de renda e idade dos assassinados. A coisa fica desleal. E não vou deixar de entrar nesse tema só porque sou branco de classe média e tenho mais de 25 anos. Não é pessoal, é amoral e, com certeza, ilegal.

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