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Diário da Região

07/08/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Fúlvia, a cronista

Painel de Ideias

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Lembrei, esta semana, da professora Fúlvia Tessarolo, mestra à moda antiga, educadora que zelava não apenas pelos aspectos pedagógicos de seu ofício, mas imprimia um tom de reparo comportamental em seus alunos - numa época, é bom que se diga, em que o corpo discente das escolas ainda conservava um temor referencial pelo corpo docente - algo muito diferente de hoje em dia. Dona Fúlvia, fala compassada, um quê de autoridade em cada sílaba, uma solenidade estudada na entonação da voz em falsetes, era professora de línguas, a mim lecionou Francês no 3º Colégio, quando a escola era uma extensão do Instituto Monsenhor Gonçalves e funcionava no prédio do Grupo Escolar Ezequiel Ramos, na Boa Vista.

Mas não foi da Fúlvia professora, foi da Fúlvia cronista de quem eu me lembrei por estes dias. Desfilaram pela memória algumas passagens dos textos impecáveis, elegantes e perscrutadores que ela publicou regularmente no Diário da Região desde os anos 1980.

Há alguns anos, quando tive a honra de escrever a “orelha” de um belíssimo livro de contos do Lelé Arantes, fiz algumas indagações: por onde andarão os cronistas que tanta falta fazem às páginas dos nossos jornais? O que estaria acontecendo com as pessoas que trazem consigo o dom de traduzir o comum, o corriqueiro, o trivial, que de tão comum, corriqueiro e trivial acabam, no mais das vezes, passando ao largo da percepção maioria?

Lembrei que de há muito tempo já se reclamava do sumiço desses exercícios de devoção à superficialidade das coisas simples, provavelmente porque estivéssemos diante de um gênero literário “dificílimo”, se é que se pode usar o superlativo para justificar a ausência de um dom à maioria das pessoas que se entregam à ousadia de escrever.

Quando penso nisso, me vêm à memória a professora Fúlvia, o médico Wilson Daher e o jornalista João Albano - os dois primeiros, diletantistas, e o outro, profissional - que tenho como emblemas da capacidade de esmiuçar o banal e de transmitir a nós, leitores, a incômoda situação de que existem coisas que não estávamos enxergando, embora estivéssemos, o tempo todo, olhando para elas.

Fica a homenagem a essa dama do bom humor, da cortesia e da elegância nas atitudes, que costumava responder com fina ironia a quem quer que perguntasse, por exemplo, como se escrevia seu sobrenome:

- É Tessarolo. Com dois esses e um rolo!

 

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