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Diário da Região

12/07/2016 - 14h01min

FIT 2016

Teatro Acidental exorciza o ódio sem água benta

FIT 2016

Divulgação Grupo paulistano discute intolerância e liberdade de expressão de forma tensa e direta
Grupo paulistano discute intolerância e liberdade de expressão de forma tensa e direta
Com uma pegada bem brechtiana e boas doses de ironia, a turma da Cia. de Teatro Acidental dá um soco no estômago com O Que Você Realmente Está Fazendo é Esperar o Acidente Acontecer, espetáculo em que reflete de forma direta (e até didática) sobre o ódio que tempera as relações na era das redes sociais.
 
Mais que um espetáculo, O Que Você Realmente Está Fazendo... é uma espécie de manual prático de sobrevivência em uma sociedade em que as pessoas recorrem à liberdade de expressão para destilar opiniões carregadas de violência e intolerância.
 
Homofobia, racismo, pena de morte, aborto, meritocracia, entre outros temas espinhosos que polarizam cidadãos manipulados por uma mídia que espetaculariza a informação, são disparados sem metáfora ou firula na cara da plateia, que, no começo, até ri, mas logo depois se deixa tomar por um silêncio desconcertante.
 
Teatro Acidental
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O espetáculo começa com os atores preparando-se para encenar a leitura de O Beijo no Asfalto, peça escrita por Nelson Rodrigues em 1960, cuja primeira montagem foi dirigida por Fernando Torres e contou com Fernanda Montenegro (diva!) e outros grandes nomes no elenco. 
 
No entanto, logo a leitura se mostra apenas um artifício para contextualizar a questão central apresentada na história de Rodrigues: a repercussão na imprensa de um beijo dado por um homem em um outro homem que acabara de ser atropelado por um ônibus no Rio de Janeiro.
 
A partir de então, a coisa fica tensa, bem tensa, exceto por dois intervalos engraçadinhos que ajudam a plateia a respirar entre um soco e outro. O discurso é tão contundente, tenso, direto, que a ironia soa até como afirmação. 
 
Teatro Acidental
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na última parte da peça, a que eu batizo de Congresso Internacional do Ódio, em que o grupo conclui sobre o que discursou no palco, as falas parecem ter sido tiradas de comentários odiosos que nos deparamos constantemente nas redes sociais. Ninguém é perdoado, e todos são subjugados em uma postura que beira a violência.
 
Depois desse choque de verdade, só resta a mim, espectador e cidadão, concluir que o que estou realmente fazendo enquanto espero o acidente acontecer é nada, absolutamente, nada.

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