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Diário da Região

13/07/2016 - 14h28min

FIT 2016

A paixão e a crucificação social de Luís Antônio Gabriela

FIT 2016

Jorge Etecheber/Divulgação Espetáculo da Cia. Mungunzá apresenta as dores de uma travesti
Espetáculo da Cia. Mungunzá apresenta as dores de uma travesti

'Existirmos: a que será que se destina' (Caetano Veloso)

Se Deus realmente existe, se Jesus foi o filho enviado por Ele para ensinar que devemos amar o próximo como a nós mesmos (sendo crucificado por isso), a travesti é hoje uma dessas entidades celestiais que habitam a Terra para continuar ensinando uma lição difícil de ser aprendida pela humanidade.

Anjos tortos, contemporâneos, instigam a razão humana por trazerem latente aquilo que todos querem reprimir: a identidade exacerbada, o sexo exacerbado e o amor exacerbado.  Sim, o amor, esse sentimento que temperamos cotidianamente com ódio, inveja, egoísmo, orgulho e outras tantas coisas tóxicas em nome de um padrão, uma moral, uma religião e uma conduta que muito se diferem da utopia cristã.

A imagem da travesti crucificada na Parada Gay de São Paulo, que tanto chocou a família tradicional e serviu de deleite para a mídia sensacionalista, foi a primeira coisa que me veio à mente após assistir a Luís Antônio Gabriela, o tocante espetáculo escrito e dirigido por Nelson Baskerville e encenado pela Cia. Mungunzá no FIT 2016.

Luís Antônio Gabriela

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O dramaturgo e diretor foi extremamente corajoso e caridoso ao cutucar suas feridas familiares em nome da necessidade urgente de sensibilização de uma humanidade que ainda não sabe amar o próximo como a si mesmo. 

Na peça musical, ele compartilha lembranças, dores e traumas na busca por se desculpar com sua irmã mais velha, Gabriela, que veio ao mundo como Luís Antônio, e cumpriu um calvário de paixão e crucificação social. Não há como se sensibilizar com a história de quem viveu apanhando por ter uma conduta diferente do modus operandi de uma sociedade hipócrita e mesquinha, e que sempre respondia com um sorriso, uma suplica por uma migalha de amor.

Luís Antônio Gabriela

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao abrir sua história, sua intimidade, Baskerville também constrói um representativo microcosmo da família, essa organização que é, sim, a base de toda dinâmica social, e que vem reproduzindo tanta coisa ruim de geração em geração.

É difícil sair o mesmo depois de uma sessão de Luís Antônio Gabriela. É uma peça que mexe com aquilo que confinamos nos recônditos de nosso instinto, e que vivemos sempre adiando por medo de sermos aquilo que deveríamos realmente ser: um ser que ama o próximo como a si mesmo.

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