X
X

Diário da Região

05/06/2016 - 00h00min

Flash Bola

Rossi começa na várzea de Rio Preto e chega ao Vasco

Flash Bola

Arquivo pessoal de Rui Guimarães ASAS - ‘Cascudão’ do time amador de Rio Preto na década de 1950. De pé, a partir da esquerda: Dina, Português, Roberto, Augusto, Turcão, Iderci, Moacir e Zanca; agachados: Ieiê, Julinho, Satã, Rossi Coquinho, Morvan e Cabral
ASAS - ‘Cascudão’ do time amador de Rio Preto na década de 1950. De pé, a partir da esquerda: Dina, Português, Roberto, Augusto, Turcão, Iderci, Moacir e Zanca; agachados: Ieiê, Julinho, Satã, Rossi Coquinho, Morvan e Cabral

Na década de 1930, Seu Ernesto Rossetti e dona Irene Nadalosso moravam em uma das poucas casas no vilarejo onde hoje é a cidade de Nova Aliança. Tiveram seis filhos, três homens e três mulheres - Ilda, Ideolaide, Iderci, os gêmeos Irineu e Edineu, e Ivanete. Os três moleques adoravam jogar bola e ficavam boa parte do dia nos campinhos de terra batida. Desde pequenos, todos mostravam muita qualidade técnica, mas só vingou Edineu, que na infância era chamado de Neu, mais tarde virou Coquinho e atuou profissionalmente como Rossi.

Jogou no poderoso Nevense da década de 1960, Rio Preto, Ferroviária e Vasco da Gama do Rio de Janeiro. Irineu, o Coco, e Iderci, defenderam apenas times amadores de Rio Preto. Quase ninguém conhecia os gêmeos pelos nomes e os apelidos foram dados pelo próprio pai. “Fazíamos muita arte, como toda criança, e num belo dia atirei uma pedrinha que pegou na cabeça do meu irmão. Fez um machucado e ele teve que raspar o cabelo”, informa Coco. “Daí, meu pai começou a chamar a gente de Coco e Coquinho”, acrescenta.

Nascidos em Nova Aliança, no dia 6 de fevereiro de 1942, eles são contemporâneos do goleiro Rosan, revelado pelo Rio Preto, que jogou na Ferroviária, Palmeiras e Santos, entre outras equipes. Aos 12 anos de idade, a família Rossetti mudou-se para Rio Preto em busca de uma vida melhor. E a molecada continuou correndo atrás da bola. Iderci e Coco eram zagueiros. Coquinho, atacante. Eles jogaram nos times amadores do Centenário da Vila Sinibaldi, Jabaquara, Asas, Aurora e Torino Brasileiro.

Comandado pelo técnico Miranda, pai de Mirandinha, que foi centroavante do Corinthians, São Paulo e da Seleção Brasileira, Coquinho foi campeão amador de Rio Preto pelo Torino. Coco e Coquinho conciliavam o futebol com o trabalho que arrumaram na indústria de móveis Pupin. De repente, Coquinho começou a fazer gols e passou a se destacar mais do que os irmãos. Acertou com o diretor Rubens Gilberto de Ávila para defender o amador do Rio Preto. Depois, atuou no amador do América, a convite do dirigente Valdir Silveira.

Destacou-se no Nevense e foi contratado pelo Jacaré

Em 1961, o técnico Miranda acertou com o Nevense, então integrante da Segunda Divisão (equivalente à Série A-3 de hoje), e levou Coquinho a tiracolo. A primeira decisão dele foi deixar o emprego de moveleiro para dedicar-se exclusivamente ao futebol. Fez belas partidas e balançou as redes dezenas de vezes. Chamou a atenção do cartola Ulisses Jamil Cury, que o trouxe para o profissional do Rio Preto.

Uma de suas primeiras partidas foi justamente contra o Nevense, no dia 28 de outubro de 1962, no estádio Victor Brito Bastos, pela Segundona (atual A-3). O time de Neves Paulista abriu 2 a 0 no placar. Coquinho empatou e os visitantes fizeram o terceiro. Na etapa final, o endiabrado Coquinho marcou mais dois e garantiu a virada do Rio Preto por 4 a 3, fazendo os quatro gols.

Rio Preto 4 X 3 Nevense - 28 de outubro de 1962

Ficha técnica:

Rio Preto

Sivuca; Alemão, Jurani e Silvio; Zé Fernandes e Icão; Charif, Milton, Rossi Coquinho, Bulau e Noriva. Técnico: Miranda.

Nevense

Alemão; Fibra Manfrim, Luizinho e Mascarado; Tim e Lega; Berardo, Norival, Café, Ivo Picerni e Brasilino. Técnico: Lobão.

Gols: Café aos 15, Brasilino aos 17, Rossi Coquinho aos 20 e aos 21 e Norival aos 26 minutos do 1º tempo. Rossi Coquinho aos 15 e aos 20 minutos do 2º tempo. Árbitro: Vicente Araújo. Expulsões: Milton e Mascarado. Renda: Cr$ 77.750,00. Público: 829 pagantes. Local: estádio Victor Brito Bastos, em Rio Preto, domingo, dia 28 de outubro de 1962, pela série Lino de Matos do Paulista da 2ª Divisão (atual A-3), com Rossi marcando quatro gols.

 

Atacante vira beque e brilha na Ferroviária

Coquinho manteve a regularidade e teve bom desempenho pelo Rio Preto. No amistoso comemorativo ao 44º aniversário do Glorioso, no dia 21 de abril de 1963, Coquinho voltou a brilhar. Improvisado na defesa pelo técnico Dicão, ele foi um dos destaques na vitória por 2 a 1 sobre a Ferroviária, no estádio Victor Brito Bastos, em Rio Preto. O ex-treinador Zezinho Silva e o lateral-esquerdo Fogueira, revelado pelo América e que havia acabado de acertar com o clube de Araraquara, indicaram a contratação de Coquinho para diretores da Ferrinha.

O desempenho naquele amistoso foi o empurrão que faltava para a sua transferência. “Logo depois do jogo, só passei em casa, peguei umas coisas e fui pra Araraquara no ônibus da Ferroviária”, informa. “O Rio Preto faturou uma grana preta com a negociação”, acrescenta. Uma das primeiras providências do técnico Capilé foi trocar o nome do seu novo reforço. “Como Coquinho você não vai a lugar nenhum”, dizia. Passou a chamá-lo de Rossi, praticamente uma abreviatura do sobrenome Rossetti.

Rossi estava indo bem como centroavante da equipe afeana. Porém, num choque com o atacante Bataglia, do Corinthians, o zagueiro Rodrigues Lindão sofreu uma grave contusão. O goleiro Dobrada sugeriu ao técnico Silvio Piryllo, contratado para substituir Capilé, que improvisasse Rossi na zaga. O treinador aceitou a sugestão. Rossi arrebentou e não saiu mais do time.

Rio Preto 2 X 1 Ferroviária - 21 de abril de 1963

Ficha técnica:

Rio Preto

Paulinho Boca Torta; Rossi Coquinho, Cuiabano e Antônio João; Brandão e Icão; Colada, Milton, Joãozinho, Bulau e Orias (Edson). Técnico: Dicão.

Ferroviária

Aparecido; Geraldo, Antoninho (Fogueira) e Zé Maria; Fernando Sátiro e Rodrigues; Haroldo, Capitão, Paulo Bim, Dudu e Teles. Técnico: Capilé.

Gols: Dudu aos 7 e Colada aos 33 minutos do primeiro tempo. Joãozinho aos 11 minutos do segundo tempo. Árbitro: Dercílio Pereira dos Santos. Expulsão: Antoninho. Renda: Cr$ 328.650,00. Público: 2.980 torcedores. Local: estádio Victor Brito Bastos, em Rio Preto, no domingo, dia 21/4/1963, em amistoso comemorativo ao 44º aniversário do Jacaré e na despedida de Rossi do time rio-pretense.

 

Cotado para defender a Seleção, parou aos 28 anos

Em 1968, o Vasco comprou o passe do zagueiro Rossi junto à Ferroviária. “Pagaram uma fortuna na época”, diz. Na equipe carioca, ele jogou com o goleiro Andrada, Alcir Portela, Joel Santana, entre outros. Não se intimidou com o Maracanã e com outros grandes palcos do futebol mundial. Mostrou a mesma qualidade de quando atuava na várzea rio-pretense.

Tanto que chegou a ser cogitado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970. “Fui relacionado entre os 40 jogadores”, diz. Uma fratura no joelho direito tirou o ímpeto de Rossi. A contusão aconteceu numa dividida com o ponta-esquerda Lula, do Fluminense. Operou, recuperou-se, mas não conseguiu voltar a jogar em alto nível e decidiu pendurar a chuteira. 

Dos seis irmãos, Ilda e Iderci já faleceram. Rossi, Coco, Ideolaide e Ivanete moram em Rio Preto. Rossi é pai de Renata e Mário. Coco tem os filhos Evandro e Ana Carolina, além dos netos Beatriz e Fernanda. Rossi e Coco moram juntos no jardim Ouro Verde.

 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso