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Diário da Região

27/04/2015 - 16h07min

Flash Bola

Leléu, goleiro do América e do Rio Preto nos anos 40 e 50

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Arquivo pessoal de Agostinho Brandi AMÉRICA Time de 1949. De pé: Leléu Grisi, Rudge, Ditinho, Nonô, Madrugada e Edgard; agachados: Vinio, Fordinho, Alicate, Osvaldinho e Birigui
AMÉRICA Time de 1949. De pé: Leléu Grisi, Rudge, Ditinho, Nonô, Madrugada e Edgard; agachados: Vinio, Fordinho, Alicate, Osvaldinho e Birigui

Na década de 1940, quando o futebol - de um modo geral - beirava o amadorismo, Leléu começou a se destacar jogando no gol de equipes rio-pretenses, sempre com muita elasticidade e uma ótima saída da meta. Fez as primeiras defesas atuando pelo Acre, depois jogou no América, Rio Preto, Texas e Imperial.

 

 

 

 

 

Leléu no Gol do América GOLEADA Rubro que fez 7 a 0 no Linense, dia 25/1/1948, no 2º aniversário do América. De pé: Luiz Antonio Fleury, Zezinho (à frente), Cai-Cai, Mimosa, Leléu, Pierre, Rudge, Eder e Francisco Curti; embaixo: Sandro, Ernani, Fordinho, Miranda, Tite e Birigui

Nascido em Rio Preto no dia 13 de janeiro de 1929, Waldir Grisi ganhou o apelido de Leléu ainda na infância. Foi estudar no Colégio Estadual Monsenhor Gonçalves e logo recebeu convite para defender o time do Acre, sigla para Associação Cultural, Recreativa, Estudantil, criado pelo professor Paulo Gonçalves de Oliveira e Silva, e formado, em sua maioria, por alunos da escola.

De acordo com o professor e historiador Agostinho Brandi, que também foi goleiro entre os anos 1940 e 1960, o Acre era uma das melhores equipes amadoras da região. “Tanto que em 1947, quatro jogadores revelados no Acre foram contratados pelo América. O lateral/zagueiro Pierre, o médio Nonô, o meia Nardinho e o goleiro Leléu”, informa. “Tivemos também o goleiro Zé Milton, que foi para o Rio Preto”, acrescenta.

Depois do Acre e do América, com seu talento debaixo das traves, Leléu foi campeão amador rio-pretense pelo Texas, conhecido por “Time dos Homens Maus”. Também conquistou o título do Amador Regional com o Rio Preto e exibiu suas qualidades no Imperial, onde jogou com o novato Colada, então com 17 anos, que depois fez sucesso no América e no Rio Preto. “Com o Leléu no gol não adiantava chutar de longe. Não passava bola fácil por ele”, diz Colada.

 

Jogou basquete e foi à Copa de 1954

Leléu e Sandro, goleiros do América na década de 1940

PIONEIROS Os goleiros Leléu Grisi e Sandro defenderam o América na década de 1940, logo após a fundação do Vermelhinho. Além deles, no final dos anos 1940 e início dos anos 1950, o clube também contava para a posição com Bob, Tino Brandi, Tião Facipieri, Olmir, Anacleto Botura, Garito e Marrom

 

Apesar de ser um grande goleiro, Leléu Grisi era versátil e também gostava de jogar basquete. Na modalidade, defendeu os times do Automóvel Clube e do Rio Preto. No entanto, ele não se dedicava muito ao esporte, nem tinha pretensões de seguir carreira como jogador profissional. Atuava por hobby e destacou-se mais no futebol amador.

 

Leléu no gol do Rio Preto ESMERALDINO Rio Preto em 1950. De pé: Leléu, Laerte Santana, Fazani, Gaiola, Ribeiro, Hélio e Coelho 1º; agachados: Alcindo, Duda, Dema, Ceci e João Dalak

Alguns de seus contemporâneos acreditam que isso ocorreu porque ele era de família rica. “O pai dele (Domingos) veio da Itália, enriqueceu com uma serralheria e comprou vários imóveis, principalmente na região central de Rio Preto”, informa o historiador Rui Guimarães.

Endinheirado e de bem com a vida, Leléu gostava de viajar. E foi um dos poucos rio-pretenses a embarcar para a Suíça em 1954, onde assistiu jogos da Copa do Mundo. “Era um privilégio para poucos na época”, diz Rui Guimarães.

Rubens Bruno da Silva, o ex-jogador Colada, também destacou o aspecto solidário de Leléu. “Ele sentia prazer em fazer caridade e ajudou muita gente necessitada”, diz. “Eu era de família simples e também recebi ajuda dele. Ele pagou um par de chuteiras pra mim na loja Pery (no centro)”, recorda.

José Alencar de Moura, que jogou no Rio Preto, diz que Leléu impunha respeito. “Ele tinha um físico avantajado, uma boa colocação na área e passava muita confiança ao time”, destaca o ex-polivalente esmeraldinho (jogava de ponta e no meio-campo).

 

Leléu com faixa de campeão amador no Rio Preto COM FAIXAS Rio Preto, campeão amador regional de 1951. Em pé, da esquerda para a direita: Leléu Grisi, Laerte Santana, Hélio, Fazani, Coelho 2º, Dema, Alcindo, Domingos Tedeschi (presidente), Acácio Desidério (dirigente), Coelho 1º e Serafim de Andrade (treinador); agachados, na mesma ordem: Farid, Duda, Luciano, João Dalak, Naná, Ceci e Gaiola

Para Agostinho Brandi, Leléu jogaria em qualquer time profissional. “O problema é que ele nunca levou o futebol a sério. Jogava apenas por prazer”, diz. Apesar de acumular fortuna, a família sofreu uma decadência após a morte do patriarca Domingos. Leléu sobreviveu com uma pequena loja de consertos de panelas, localizada perto da Prefeitura de Rio Preto. Ele casou-se duas vezes e teve dois filhos. Morreu no dia 25 de dezembro de 2001, aos 72 anos.

FICHA TÉCNICA

Rio Preto 1
Leléu Grisi; Coelho 1º e Hélio; Fazani (Coelho 2º), Laerte e Gaiola; Alcindo, Ceci (Dema), Zé Bolacha, Duda e João Dalak. Técnico: Serafim de Andrade.

América 1
Anacleto Botura; Máximo e Renê; Filhinho, Martin e Pierre (Nonô); Alemão, Miltinho, Nelson, Tite e Tom Mix. Técnico: Benedito Teixeira, o Birigui.

Gols: Alemão (América) e João Dalak (Rio Preto), ambos no 2º tempo.
Árbitro: Valter Pereira Diniz.
Expulsões: Tite e Coelho.
Renda e público: não obtidos.
Local: estádio Victor Brito Bastos, em Rio Preto, no dia 4/6/1950, pela Taça Sesc/Senac, com Leléu Grisi no gol do Rio Preto. A renda foi destinada ao Rio Preto como pagamento dos passes de Martin e Renê.

 

Leléu na década de 1950 no Rio Preto GLORIOSO De pé, a partir da esquerda: Laerte, Coelho 2º, Leléu, Fazani, Gaiola e Coelho 1º; agachados: Dicão, Ceci, Dema, Duda e João Dalak

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rio Preto com Leléu Grisi no gol VERDÃO Rio Preto nos anos 1950. De pé, a partir da esquerda: Rubinho, Escarbosa, Parola, Alencar, Laerte Santana e Leléu Grisi; agachados: Gumercindo de Seta, Lelito, Maccagnan, Paulinho Andrade e Ulisses Jamil Cury

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acre com Leléu no gol. Uniforme branc ACRE Time amador de Rio Preto, em 1947, no estádio Victor Brito Bastos. De pé: Laerte Santana, Nonô, Miguelão, Leléu Grisi, Zé Bolacha e Pinheiro; agachados: Antonio Natalone, Japão, Lelito, Nardo e Aziz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leléu no gol do Acre ESTUDANTES O Acre era formado, em sua maioria, por alunos do Colégio Estadual Monsenhor Gonçalves e revelava jogadores, principalmente para América e Rio Preto. Em pé, da esquerda para a direita: Hélio, Leléu Grisi, Romeu Menezelo (dirigente), Laerte Santana, Fazani, Danilo Tonello, Gaiola, Sergio Gajo, Vulpini e diretor não identificado; agachados, na mesma ordem: Ceci, Lelito, Zé Bolacha, Dema, Miltinho Mani e Najuba

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leléu sai do gol em jogo pelo Acre

SEGURANÇA Leléu sai do gol para interceptar cruzamento em jogo do Acre no estádio Victor Brito Bastos, pelo Campeonato Amador de Rio Preto

 

 

 

Leléu no time de basquete do Rio Preto BASQUETE Versátil, além de atuar como goleiro de futebol, Leléu gostava de jogar basquete. A foto mostra formação do Rio Preto em 1951. De pé: Roberto Rollemberg, Danilo, Dicão, Pacheco e Fifo; agachados: Laerte, Lelito, Júlio Abad e Leléu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texas campeão com Leléu no gol TEXAS Campeão amador de Rio Preto em 1952. Em pé, da esquerda para a direita: Leléu Grisi, Laerte Santana, Hélio, Eder, Russo, Schefler, Nélio, Roberto e Darcy Arantes; agachados, na mesma ordem: Buda, Rudge, Belmiro de Freitas, Zeca Boca Torta, Baglione, Silveira Coelho e Edgar

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