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Diário da Região

29/02/2016 - 13h07min

Literatura

Romance de Míriam Leitão retoma duas tragédias brasileiras: a escravidão e a ditadura

Literatura

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            Muita gente conhece a jornalista Miriam Leitão por seus debates vigorosos acerca da situação econômica do nosso país. Em mais de quarenta anos de profissão, acumulou diversos prêmios e chegou a ganhar o Jabuti de Livro do Ano pelo livro-reportagem “Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda”. Em 2014, lançou “Tempos extremos”, sua primeira investida na categoria romance.

            O livro retoma duas grandes tragédias brasileiras ? a escravidão e a ditadura militar ? por meio da história de uma família que busca resolver as diferenças do passado em uma antiga fazenda no interior de Minas Gerais. No entanto, a reunião familiar resulta apenas em vozes desencontradas e silêncios que revelam fraturas irrecuperáveis, assim como a relação entre os dois irmãos que ocuparam lados opostos durante a ditadura.  Ao mesmo tempo, a narradora principal rompe com barreiras temporais ao adentar um drama vivenciado no século passado, no qual dois escravos lutavam, cada uma à sua maneira, para obter a tão sonhada liberdade. 

            De fato, o romance encanta pela emoção dos relatos acerca das atrocidades cometidas em ambos os períodos e destaca informações históricas importantes em um jogo narrativo sutil que mescla fantasia e realidade. Como diz a narradora: “um passado assim intenso não descansa” (p. 260). Em vídeo elaborado pela editora, Míriam Leitão confessa que emprestou algumas características pessoais à personagem Alice, sem abrir mão da liberdade criativa. Apesar de algumas passagens ficarem perdidas ao logo da trama, o livro revela uma lógica própria para unir histórias separadas por quase um século de “desenvolvimento” econômico e cultural, mas que carregam, ainda, muitas semelhanças.

 

A seguir, cito alguns trechos da obra que foram escolhidos em nosso grupo de leitura:

 

O futuro nada sabe de nós? De que serve ser do futuro se é para ficar na ignorância do que foi vivido? (p. 137 – seleção de Paula Tavares Pinto)

 

A paz não brota em tempos extremos. Há escolhas e preços. Conflitos. A paz chega um dia, como os rios correm calmos após vencer as cachoeiras e o tumulto das corredeiras. Primeiro, as águas se precipitam no vazio como suicidas; em seguida confrontam as pedras; por fim, o rio se acalma. Impossível a paz logo após as grandes quedas, porque é o momento em que o solo é revolvido e lavado. Hora da luta dos contrários: rio e pedra. Depois vem, quem sabe, a conciliação. (p. 246 - seleção de Aline Ferrari Borges e Margarete Battigaglia)

 

 

 

 

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