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Diário da Região

11/07/2016 - 10h37min

Relacionamento

O Humor nos Relacionamentos

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Alain de Botton NULL
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            De forma instintiva, sabemos que o humor é muito importante nos relacionamentos. No entanto, as razões ainda são vagas. Não esperamos apenas entretenimento – já temos muitos comediantes na TV. Não queremos rir por si só. Para que duas pessoas possam se tolerar ao longo dos anos, é preciso rir – no bom sentido – de nossos parceiros e de nós mesmos.

            Passar muito tempo com uma única pessoa implica em constantes questionamentos acerca do que chamamos de normalidade ou equilíbrio. Nossos companheiros parecerão estranhos em muitas coisas - e nós também. Pode ser que eles liguem para os pais cinco vezes ao dia, limpem a cozinha com precisão cirúrgica, insistam em convidar amigos para sair todos os finais de semana, ou queiram chegar ao aeroporto com seis horas de antecedência.

            Dizer alguma coisa de forma direta e com um tom de voz mais ríspido pode ser dolorosamente contraprodutivo. Na maioria das vezes, a pessoa sente-se ofendida e recusa-se a pensar sobre o assunto - o que provoca irritação e amargura. É aí que entra o humor. O humor é a forma mais eficaz de criticar alguém sem despertar raiva ou arrogância. Rir não significa apenas que a pessoa está se divertindo; é sinal de que ela percebeu o recado.   

            Se as pessoas tendem a ficar irritadas quando são criticadas em um tom mais sério é porque não conseguem perceber que suas atitudes estão desproporcionais e desequilibradas. Elas são incapazes de identificar o erro de forma madura. Então o gesto cômico consiste em exagerar o aspecto problemático do outro – o que ajuda no reconhecimento do problema, enquanto, ao mesmo tempo, oferece a sensação de alívio por não se tratar de alguma coisa grave.

            No final dos anos oitenta, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher ficou conhecida pelo seu autoritarismo diante de seus companheiros e partidários. Muitos artigos foram publicados em jornais de prestígio, pedindo que ela fosse mais simpática e solidária. Porém, nada funcionou. Thatcher simplesmente ficou zangada e ofendida. Contudo, mais adiante, um famoso show de fantoches da TV britânica representou a primeira-ministra como uma boneca de voz grave e aparência de matrona psicopata, que batia com um cassetete na cabeça de seus colegas impertinentes. Era óbvio que Thatcher não se comportava dessa maneira, e que se tratava de uma visão exagerada – e dolorosa ? da realidade.  Após ser descrita dessa maneira, a primeira-ministra deu-se conta do seu comportamento e, tranquilizada pela selvageria do exagero, conseguiu rir de si mesma. Em suas memórias, ela conta que ria muito ao assistir o programa – percebendo que precisava aprender a lidar com essa tendência que estava visivelmente fora de controle.

            O show de fantoches é um exemplo de atitude que precisamos adotar constantemente em nossos relacionamentos. Neles também devemos usar a tática do exagero para apontar, de forma carinhosa, as falhas do outro. Imagine que seu parceiro fica demasiadamente agitado ao menor sinal de sujeira na cozinha. Em resposta, poderíamos acrescentar mais gravidade ao problema dizendo: “Vamos cometer suicídio sobre as migalhas de pão em cima da pia: você tem razão, viver assim já não vale a pena” ou “Que tal comprar uma cartela de sedativos na farmácia mais próxima ou cortar a veia safena com a faca de pão? Assim, não precisaremos mais nos preocupar com essa bagunça. Vamos lá, pode ser divertido!" É importante estar alegre e descontraído, adotando uma expressão facial engraçada ao elaborar os detalhes técnicos. Como bem sabem os comediantes, tudo depende do tom.

            A comicidade ocorre quando atribuímos proporções absurdas a um comportamento anormal, de forma que alguém possa identificá-lo como uma reação exagerada. A comédia nos ensina que o melhor caminho para que uma pessoa perceba seus desequilíbrios é evitar a seriedade dos sermões. É abordar repetidamente o problema até que o exagero seja reconhecido e passe a despertar o riso. Assim, teremos aprendido a criticar por meio do humor - e nossos relacionamentos serão muito mais seguros, especialmente quando permitirmos que o nosso companheiro também faça piadas com nossos defeitos.  

Tradução: Patrícia Reis Buzzini

Fonte: www.theschooloflife.com

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