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Diário da Região

20/03/2016 - 16h47min

Alain de Botton e os ensaios sobre a vida cotidiana

Nossos momentos mais românticos

Alain de Botton e os ensaios sobre a vida cotidiana

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           Para o filósofo e escritor Alain de Botton, o conhecimento tem o propósito de ajudar as pessoas a terem uma vida mais feliz e harmoniosa. Com esse objetivo, Alain criou um projeto inovador que visa ao desenvolvimento da inteligência emocional a partir de reflexões fundamentadas em conceitos da filosofia, literatura e psicologia, entre outras áreas.  Com um escritório em Londres e outro em São Paulo, a “The School of Life” (Escola da Vida) discorre sobre assuntos como trabalho, relacionamento, capitalismo, cultura, autoconhecimento e formação profissional por meio de cursos, palestras, vídeos, artigos, livros e sessões de terapia que são disponibilizados em sua página na internet.  Nessa atmosfera sugestiva e inspiradora, qualquer pessoa pode ter acesso gratuito a uma coletânea de artigos elaborados por colaboradores do projeto, organizados em uma pasta chamada “The Book of Life” (O Livro da Vida). Para contribuir com a difusão dessas ideias, selecionamos alguns desses textos para serem traduzidos e publicados na revista Bem Estar. O primeiro texto aborda o tema dos relacionamentos amorosos... Espero que gostem!

 

NOSSOS MOMENTOS MAIS ROMÂNTICOS

Tradução de Patrícia Reis Buzzini

 

            É estranho pensar que alguns dos nossos momentos mais românticos podem incluir situações como:

? ter um namorado que mora do outro lado do mundo e que não pode se mudar para ficar mais perto.

? apaixonar-se por uma pessoa casada e que não tem a menor intenção de se separar.

? relacionar-se com alguém que tem uma doença em estágio terminal, com poucos meses de vida.

? sentir-se atraído e manter pensamentos obsessivos por uma pessoa com quem nunca falou na biblioteca, mesmo após descobrir que ela é comprometida.

? passar os últimos momentos com uma paixão de férias, antes de pegar um voo exaustivo de doze horas para casa.

 

            O que há em comum em todas essas situações é a existência de um obstáculo externo para o amor que, paradoxalmente, serve para intensificar o desejo.  Acreditamos que o amor pode fortalecer-se com as dificuldades – mas a situação é ainda mais complexa: o amor se fortalece exatamente porque uma relação perfeita não é possível no mundo real, uma vez que o amor está fadado a ser, de alguma maneira, desigual ou incompleto.

            As pessoas que estão presas a essas situações desafiadoras podem ser admiradas e consideradas um exemplo de “amor verdadeiro”. Mas não é bem assim. Elas são tímidas visitantes no universo amoroso, que tiveram o cuidado de escolher situações que lhe evitariam uma permanência mais longa. Elas são auto sabotadoras, que preferem estar no controle de uma situação triste do que correr riscos em uma situação feliz. Elas tomam todos os cuidados para que não haja possibilidade de frustrar o parceiro ou a si mesmas.

            É o obstáculo externo que lhes dá a segurança para abrirem-se aos sentimentos que evitariam caso não existisse mais a dificuldade. Apaixonar-se loucamente por alguém disponível é uma experiência extremamente perigosa. Há muitas chances de sofrimento. Aprendemos a confiar na pessoa com o passar dos anos e, de repente, podemos descobrir que ela nos deixou ou, simplesmente, faleceu durante a noite. Não conseguiríamos sobreviver; nossas defesas mascaram muitas fragilidades interiores. É como se lhe tivéssemos dado as chaves da nossa autoconfiança e direcionamento – e, depois de tanto tempo, precisássemos lutar para saber como seguir em frente sozinhos.

            Nem todos nós temos condições psicológicas que permitem embarcar em relações que envolvam o risco da confiança mútua.  Podemos ter sofrido desilusões na infância (talvez um pai ou uma mãe tenha nos humilhado ou abandonado) e, por isso, determinamos que nunca mais confiaríamos plenamente em outra pessoa (podemos assumir essa postura mesmo estando casados – se tivermos o cuidado de escolher um companheiro apático e distraído). Não fazemos de propósito, é claro. Em geral, não temos percepção dos nossos padrões de comportamento; simplesmente nos apaixonamos por uma pessoa que mora longe e não nos interessamos por outra que mora no apartamento ao lado. Isso parece – por algum tempo, até termos mais consciência dos fatos – uma coisa normal.

            O verdadeiro desafio de um relacionamento não é apaixonar-se por uma pessoa que pode nos abandonar: é aceitar o desafio ainda mais interessante e heroico de se envolver com alguém que não está à beira da morte, morando no Polo Norte ou casado com outra pessoa – e que tenha tempo de sobra para nós. Situações impossíveis podem parecer muito românticas não porque encontramos nossa alma gêmea, mas porque a ausência de riscos desarma nossos corações. Devemos, com o tempo, aprender a direcionar nosso interesse por aquele sujeito extremamente ameaçador: alguém que já conhecemos, que realmente gosta de nós e que está quase o tempo todo disponível. Isso pode ser verdadeiramente romântico.

 

 

 

 

Texto disponível em: www.theschooloflife.com

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