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Diário da Região

25/05/2015 - 19h50min

Nascida em uma favela, a escritora Conceição Evaristo conseguiu fazer a diferença na literatura.

Insubmissas lágrimas de mulheres

Nascida em uma favela, a escritora Conceição Evaristo conseguiu fazer a diferença na literatura.

NULL EVARISTO, CONCEIÇÃO. Insubmissas lágrimas de mulheres. Belo Horizonte: Nandyala, 2011.
EVARISTO, CONCEIÇÃO. Insubmissas lágrimas de mulheres. Belo Horizonte: Nandyala, 2011.

Guimarães Rosa de saias!

Quem é a escritora brasileira que é assim chamada? Quem recebeu honras representando a literatura nacional nos Estados Unidos, em Moçambique, na Áustria, na França, entre outros países?

No Brasil as incursões da grande dama das letras pela academia e as publicações de contos e poemas nos Cadernos Negros lhe renderam reconhecimento. Tem ampla produção literária e crítica: além de vários poemas e contos, escreve também ensaios críticos e romances.

O livro que trago hoje é uma coletânea de contos intitulada Insubmissas Lágrimas de Mulheres, publicada pela editora Nandyala, em 2011, dessa escritora afro-brasileira, cuja produção encanta o mundo.

Conceição Evaristo

Os contos envolvem-se no tratamento da linguagem de uma escrevivência (como ela diz). Uma língua entranhada no desejo do corpo reivindicatório. Do ouvir, surgem histórias.

 

“... Ouço muito. Da voz outra, faço a minha, as histórias também. E, no quase gozo da escuta, seco os olhos. Não os meus, mas de quem conta. E, quando de mim uma lágrima se faz mais rápida do que o gesto de minha mão a correr sobre o meu rosto, deixo o choro viver”.

 

São treze contos curtos sobre mulheres. Cada um deles tem nome próprio. De Aramides Florença a Regina Anastácia, temos experiências vividas registradas. Nelas, a opressão e o apoderamento do sujeito feminino constituem-se como partes da literatura que retrata a questão diaspórica no Brasil, por meio da força inscrita na contação oral disseminada nas peculiaridades do narrar.

 

“... Do meu pai, não sei o porquê, nunca pensei que ele pudesse me ajudar nas inconfessáveis urgências da minha infância. Era um homem boníssimo, mas a quem nós, crianças, não tínhamos a coragem de interromper em seus infindos trabalhos. Entretanto, a perene certeza de que eu era diferente e a falta de lugar que esse sentimento me causava não me deixavam alheia aos jogos da idade”.

 

Conceição produz discursos de si nas descrições das mulheres e movimenta formas linguísticas da violência desconhecida pelos ouvidos educados por critérios da colonialidade.

 

“... Quando acordei do desmaio, a moça do relato segurava minha mão. Não foi preciso dizer mais nada. A nossa voz irmanada no sofrimento e no real parentesco falou por nós. Reconhecemo-nos. Eu não era mais a desaparecida. E Flor de Mim estava em mim, apesar de tudo. Sobrevivemos, eu e os meus. Desde sempre”.

 

Narrativa que corre fácil e implementa sentidos à mesmice do cotidiano, merece ser lida.

 

 

Cláudia Maria Ceneviva Nigro é Livre Docente em Crítica Literária e professora adjunta - efetiva da UNESP de São José do Rio Preto.

 

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