X
X

Diário da Região

28/08/2016 - 00h00min

ENTREVISTA

Há vida e alegria depois do autismo

ENTREVISTA

Divulgação NULL
NULL

A escritora mineira Andréa Werner é formada em jornalismo (PUC) e, atualmente, mora em Estocolmo, na Suécia, com a família. Desde que recebeu o diagnóstico de que seu único filho, Theo, era autista, passou a ter contato com um universo completamente novo e inesperado. 
Na busca por informações que pudessem ajudá-la nesta difícil fase inicial do tratamento, a escritora criou um site chamado Lagarta Vira Pupa, que acabou virando referência para pais de autistas e profissionais da área. 
As experiências relatadas no site deram origem a um livro homônimo que, recentemente, foi assunto de uma postagem no Blog Entre Livros e Palavras. Esta semana, tivemos a oportunidade de ter uma breve conversa com a autora.

Blog Entre Livros e Palavras - Como foi a experiência de criar um site para trocar informações a respeito de um tema ainda tão pouco debatido, fora do ambiente especializado, como o autismo?
Andréa Werner – Eu não pretendia que o blog fosse um guia técnico. Queria que ele fosse uma bússola principalmente emocional. E tenho muita facilidade para falar de emoções. Essa foi a parte fácil. A parte difícil foi entender o alcance que o blog conquistou em pouco tempo e a responsabilidade que veio com isso.

Blog – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas pela sua família após o diagnóstico de seu filho como autista?
Andréa – A primeira dificuldade é se achar sozinho no mundo. “Por que eu? Por que o meu filho?”, são perguntas que não saem da cabeça. Lembro de fazer buscas na internet e não achar nenhum pai ou mãe. Finalmente, achei um grupo de email de pais de aspergers, que é um tipo de autismo que eu nem achava que era o caso do meu filho. E dividir a dor, tirar dúvidas com quem realmente sabe o que você está passando, faz toda a diferença nessa hora. Justamente por isso veio a ideia do blog.

Blog – O nosso país está preparado para lidar com a diversidade? Existe algum suporte legal para garantir que todas as crianças portadoras de deficiência tenham os mesmos direitos das outras crianças?
Andréa – O Brasil já melhorou, mas ainda tem um longo caminho a percorrer nesse aspecto. Em janeiro deste ano, entrou em vigor o Estatuto da Pessoa com Deficiência ou “Lei Brasileira da Inclusão” (lei 13.146/2015) com o objetivo de criar uma cultura de inclusão. Isso significa que a sociedade deve se adaptar para receber a pessoa com deficiência, e não o contrário. A lei abrange áreas como a saúde, o trabalho, a assistência social, e traz diretrizes muito importantes para a educação inclusiva, pois assegura a oferta de sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades de ensino. E ela pune, por exemplo, a recusa de matrícula de criança autista em escola regular e a cobrança de taxas extras. Mas sabemos que, na prática, a lei ainda não tem funcionado tão bem.

Blog – Quais foram as principais conquistas no desenvolvimento do seu filho Theo até o momento? O que você considera fundamental para o sucesso do tratamento?
Andréa – Infelizmente, muitos médicos ainda não sabem direcionar o tratamento. Vimos realmente o Theo melhorar a partir de muitas conversas e trocas de experiências com outras mães. Foi a partir daí que redirecionei as terapias e vi o que fazia mesmo sentido. A vinda para o exterior também teve a sua influência, porque a escola está realmente preparada para ensinar uma criança autista. Aqui, ele aprendeu a se comunicar bem melhor usando um sistema com figuras (já que ele não fala) e está sendo alfabetizado aos poucos e também aprendendo noções de matemática.

Blog – Como foi a adaptação de seu filho na Suécia? Quais são as principais diferenças culturais com relação à forma como as escolas e a sociedade lidam com crianças portadoras de deficiência neste país?
Andréa – O sueco tem aquela cultura do “cada um na sua, cada um do seu jeito, e eu não tenho nada com isso”. Na prática, isso se percebe na falta de olhares tortos quando meu filho faz seus barulhos ou tem uma crise, por exemplo. O governo também investe bastante nessas crianças através da educação especial e nos adultos através das residências assistidas. Há todo um sistema que funciona focado nisso.

Blog – Qual é a principal contribuição do seu livro? Você pensou em algum público específico ao escrevê-lo?
Andréa – A principal contribuição é servir de alento para os pais de crianças com autismo ou outras deficiências. É mostrar que a gente passa, sim, por uma fase muito triste e negra, mas que há uma luz no fim do túnel. Há vida e alegria depois do autismo! Ele também é um presente legal para dar aos amigos e familiares, para que entendam a perspectiva dos pais.

Blog – Você tem planos de publicar outros livros sobre o assunto?
Andréa – Sem dúvidas. Ano que vem já deve vir mais coisa por aí, mas é surpresa!

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso