X
X

Diário da Região

09/05/2016 - 00h03min

Entrevista

Entrevista com Igor Galante

Entrevista

NULL NULL
NULL

 

O escritor e jornalista Igor Galante é natural de Andradina e, atualmente, trabalha como editor de cultura no Jornal Diário da Região. Seu primeiro livro “Violências” (2007) foi selecionado pelo Programa Municipal “Nelson Seixas” de Fomento à Produção Cultural da Prefeitura de São José do Rio Preto.

 

1. Como surgiu a ideia de escrever o livro “Violências”?

Não foi algo tão planejado. As primeiras histórias começaram a ser traçadas sem uma preocupação com um tema que as 'amarrasse', como o título pode sugerir. Nasceram do mais puro e simples desejo de um jovem jornalista que, como leitor, em relação ao romance, à poesia e à crônica, estava mais atraído à época pelo conto, e que foi experimentar essa forma narrativa na condição de autor, sem saber onde isso ia dar. Três contos nasceram assim, de forma despretensiosa mesmo. Depois que os inscrevi em um prêmio para produção de um livro e ganhei foi que a questão temática em torno das diferentes formas de violência passou a nortear um pouco mais minhas ações.

 

2. De acordo com a antropóloga Márcia Regina da Costa, considera-se que “assim como em outros animais, a violência faz parte do ser humano”. Como você lida com essa questão?

Se olharmos para o início, a violência estava muito ligada à própria sobrevivência da espécie e, assim, era até mais fácil de ser explicada. À medida que evoluímos e as relações foram se tornando mais complexas, fomos ampliando nossa capacidade de ferir. Nos tornamos altamente qualificados para amar e odiar na mesma medida. A violência nos acompanha e, estranhamente, é o que também nos define como seres humanos.

 

3. Você sentiu dificuldade para distanciar-se da linguagem concisa e impessoal do jornalismo? Como foi essa “travessia” para o texto literário?

Na época em que o livro foi escrito eu era jornalista havia seis anos e, como repórter de Cultura, sempre procurei escrever tentando fugir um pouco dos 'cânones' da profissão, o que não é difícil porque o jornalismo cultural te permite mais do que as outras editorias fazer de um jeito diferente. Eu pelo menos sempre vi assim. Claro, literatura continua sendo outra coisa, portanto foi sim uma ruptura. Mas eu ansiava por isso. Um passo natural às minhas convicções como jornalista.

 

4. No conto “Duas Amigas” você retrata o lado perverso e superficial da vida noturna, onde as pessoas são reduzidas à condição de corpos em exposição. Foi uma crítica intencional?

Espero que não. Minha intenção não foi fazer uma crítica ao comportamento das personagens na história, mas estabelecer uma dinâmica que servisse ao propósito do clímax. Duas amigas existe pelo clímax. Muitas histórias do livro começaram a ser pensadas a partir de uma 'imagem'. O início de O reencontro, por incrível que pareça, é inspirado na abertura de Cem anos de solidão. No caso de Duas amigas, essa 'imagem' veio do filme Irreversível, de Gaspar Noé. Lembro de ter ficado muito impactado com o que acontece ali (e essa é a única pista vamos dar, ok). Na verdade, conforme o livro foi amadurecendo, todo tipo de violência foi me interessando, psicológica, física, a violência  de desejos e sonhos interrompidos... Duas amigas tem relação com um tipo de violência mais convencional, mas não menos assustadora.

 

5. Apesar de enfocar um tema desagradável como a violência, você utiliza uma linguagem leve e elaborada na construção dos contos. Isso pode ser indicativo do seu estilo como escritor?

Sempre que vou escrever, isso independentemente se no campo da literatura ou do jornalismo, levo em conta se, como leitor, eu me interessaria pelo que está escrito ali. Essa é a minha 'baliza'. Gosto de escrever aquilo que me agrada ler, sejam as palavras duras ou não. A natureza da história muitas vezes também influencia a forma da escrita. O velho e o menino e A fenda aberta no teu peito, respectivamente os contos que abrem e fecham o livro, por exemplo, são absolutamente distintos entre si, em todos os sentidos.

 

6. Você poderia citar os escritores que ocupam lugar privilegiado na sua estante?

Eu gosto muito de alguns escritores latino-americanos, particularmente Gabriel García Márquez, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa e Roberto Bolaño. Entre os brasileiros, tenho bastante coisa de Rubem Fonseca, Manoel de Barros, Fabrício Carpinejar, Drummond, Ivan Ângelo, Raduan Nassar, Minás Kouyodmjian (filho da Dinorath do Valle) e sempre tiro alguma coisa deles da estante. É um time bem heterogêneo, nem sei explicar muito bem o que me liga a eles.

 

7. Em entrevista ao jornal Estadão (2007), você confessa ter pretensões de escrever um romance. Já começou?

Na realidade eu tenho uma pretensão mais modesta, que é voltar a escrever. É muito provável que uma nova coletânea de contos saia primeiro do que o romance. Tem uma história que me persegue há alguns anos, com potencial até para virar um romance, mas preciso reforçar e estabelecer uma voz como escritor se quiser dar esse passo, e só vejo esse caminho, hoje, no conto. 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso