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Diário da Região

21/09/2015 - 14h33min

Literatura

Entrevista com escritor rio-pretense Cleber Falquete

Literatura

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Nascido em São José do Rio Preto, Cleber Junio Falquete escreve contos, crônicas e poesias. É formado em História e, atualmente, divide o seu tempo entre o trabalho como funcionário público e a literatura.  

 

Quando você começou a se interessar por literatura? Fale sobre a sua trajetória como escritor.

R: Desde muito cedo, na infância ainda, os livros e as palavras sempre me fascinaram. Minha mãe foi uma grande leitora e acredito que a influência dela foi determinante em minha vida. Ela sempre me comprava gibis e livrinhos infantis. A partir do exemplo e do incentivo doméstico e familiar, quando entrei na escola eu já passava a frequentar a biblioteca, assim como a da comunidade, que fica no Centro Comunitário Asa Delta. Houve uma época, na adolescência, em que eu lia um livro por dia. Nas provas de redação, as minhas eram as melhores. Para ser um escritor, você deve antes se tornar um grande leitor. É como disse o Cristóvão Tezza: diferentemente de outras artes, como a música e a pintura, que alguém pode desenvolver sem dominar os fundamentos básicos, a literatura exige do autor o seu pleno domínio. Caso contrário, não se produz nada de valor literário. E eu sempre fui evoluindo em minhas leituras: da literatura infanto-juvenil (Marcos Rey, Stella Carr e outros), fui para os romances policiais (principalmente Conan Doyle e Agatha Christie) e best-sellers (Stephen King), passando depois para a “alta” literatura, lendo autores do porte de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Antonio Callado, Murilo Rubião, na literatura brasileira e Edgar Allan Poe, Giorgio Bassani, Franz Kafka, Jean-Paul Sartre, Julio Cortázar, na literatura estrangeira. A partir daí, contaminado por esses mestres, resolvi me lançar no mar turbulento da escrita.

 

Seu primeiro livro de contos, publicado em 2011, recebeu um título incomum:  “O Eco Celeste das Armaduras Secretas, Guardadas em Céus Claros de Domingos Ignorados”. Quais foram as motivações para a escolha do título?

R: Eu queria um título que fosse, ao mesmo tempo, original e poético. Esse título surgiu-me por inteiro, completo, como se fosse um pequeno poema. Percebi imediatamente que ele seria o título de meu livro, pois senti uma conexão entre ele e o livro, os contos.

 

Você poderia citar algum escritor ou obra que marcou sua vida?

R: São muitos. No campo emocional, Zorba, o grego, do Nikos Kazantzakis, marcou-me profundamente. Uma literatura de uma intensidade humana incrível. Confesso que emocionei-me ao terminar suas belas e mágicas páginas. Como disse-me um amigo, “eu não poderia morrer sem ler essa obra”. Já no campo técnico, ninguém me fascinou mais que o argentino Julio Cortázar. O primeiro livro dele que li foi Bestiário, que me impactou de tal modo que eu fiquei perplexo com tamanha imaginação, inventividade e talento literário. Ele tem o pleno domínio dos contos que produz.

 

Em “Ossuário de cavalos marinhos” percebe-se um leve sentimento de nostalgia perpassando, de alguma maneira, todos os poemas. Como foi o processo de composição dessa obra?

R: Na verdade, eu comecei a produzir meus primeiros poemas de modo descompromissado, sem a intenção inicial de publicá-los. Fui compondo e guardando. Um dia, encontrando-me com um grande amigo meu, o poeta rio-pretense Walter Merlotto, desafiei-o a ler os meus poemas e a dar uma opinião. Como todo bom amigo, ele elogiou-me, claro. Mas depois me convenceu de que falava sério (risos). Devo a ele o primeiro incentivo a publicar os meus versos. Como eu tinha muitos poemas, resolvi fazer uma triagem e encontrar aqueles que pudessem se unir a um projeto. Desse modo nasceu o livro.

 

Como você enxerga a relação entre História e Literatura?

R: É uma relação intrínseca. A História é construída pelas ações do homem no espaço e no tempo. A Literatura é uma manifestação dessas ações. A Literatura está presente na epopeia humana desde os primórdios da espécie. Veja o exemplo das pinturas rupestres no interior das cavernas: mesmo sem o domínio gráfico da escrita, ali o homem já manifestava, através de desenhos símbolos, o seu desejo de narrar e registrar suas próprias experiências. Isso é literatura. Ainda nas civilizações primitivas, surgiram textos como a Epopéia de Gilgamesh, na Mesopotâmia e o Popul Vuh, dos maias. A literatura trabalha com a História no sentido de que uma obra ou um autor funciona como um espelho de uma época, refletindo o cotidiano, o pensamento, as relações sociais, as relações de poder, os sentimentos, as ações, as filosofias. Eneida, de Virgílio, faz um diálogo com a História da fundação de Roma. Os Sertões, de Euclides da Cunha, faz um retrato peculiar do início da História Republicana no Brasil. Os contos de Voltaire são exemplos perfeitos do pensamento ilustrado no século XVIII. Os livros de Kafka concentram toda a angústia do homem diante da grande opressão dos tempos modernos. É isto um homem?, de Primo Levi, é um dos maiores testemunhos dos horrores da Segunda Guerra Mundial. A História e a Literatura são dois corpos inseparáveis, pois que ambas estão unidas pelo sangue do homem.

 

Você poderia dizer que já encontrou “o seu lugar” na literatura? Fale sobre o estilo adotado em suas obras.

R: Não sei responder ao certo essa questão. Já fui elogiado por grandes nomes das letras, como o poeta Marcos Siscar e o crítico André Seffrin. Eu diria que estou construindo um pequeno cômodo no grande casarão da Literatura. Mas somente o tempo é que dirá se esse cômodo será incorporado. Sobre o meu estilo, em prosa, gosto de trabalhar com variações de linguagem. Já na poesia meu cinzelamento é quase todo concentrado nas imagens.

 

Você tem novos projetos de publicação?

R: Sim, tenho vários. No momento estou envolvido num projeto do Sesc, o Escribas do Breu, com escritores da cidade. No ano que vem lanço mais um livro de poemas, cujo título será Corponexões. Além disso, trabalho constantemente em mais quatro livros de poemas, dois de contos e um de minicontos. Também pretendo, futuramente, ministrar uma oficina de poesia e uma de minicontos. Citando o poeta Marcos Siscar:  “ela (a Literatura) continua sendo amada como nunca”.

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