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Diário da Região

12/09/2016 - 09h02min

Literatura

Ensaios de Amor, por Alain de Botton

Literatura

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                Não é novidade que o amor continua sendo um dos temas mais explorados por artistas e escritores de todo o mundo. Na literatura internacional, as histórias de Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Guinevere e Lancelot, Scarlett O’ Hara e o irresistível Rhett Butler povoa(m)ram o imaginário de inúmeros casais apaixonados.  A Literatura Brasileira também está representada por casais memoráveis como Bentinho e Capitu (Dom Casmurro), Bibiana Terra e Capitão Rodrigo Cambará (Um Certo Capitão Rodrigo), Manoela e Giuseppe Garibaldi (A Casa das Sete Mulheres), Diadorim e Riobaldo (Grande Sertão Veredas), Gabriela e Nacib (Gabriela, Cravo e Canela), entre muitos outros. Como ocorre na arte, o amor é um dos elementos essenciais da vida, uma fonte inesgotável de alegrias ? e aflições.  

                Best-seller na Inglaterra, o livro Ensaios de Amor, do filósofo Alain de Botton, foi publicado no Brasil pela editora Rocco em 1997, com tradução de Fábio Fernandes. Fazendo uso de um gênero híbrido entre narrativa e ensaio, De Botton aborda diversos momentos da relação amorosa entre a personagem Chloe, designer gráfica de moda, e o narrador, um arquiteto analítico e racional. Mais do que uma história de amor, é um livro sobre o amor. Na opinião do jornalista Nicolau Sevcenko, trata-se de “uma combinação harmoniosa de erudição, ironia, inteligência, sensibilidade, humor, simplicidade, atenção ao peso crucial dos detalhes prosaicos e uma textura literária de qualidade superior”. Em cada capítulo, encontramos um tema diferente ligado ao amor: Fatalismo romântico, Idealização, O subtexto da sedução, Autenticidade, Mente e corpo, Marxismo, Notas falsas, Amor ou liberalismo, Beleza, Falando de amor, O que você vê nela?, Ceticismo e fé, Intimidade, Confirmação do eu, Intermitências do coração, O medo da felicidade, Contrações, Terrorismo romântico, Acima do bem e do mal, Psicofatalismo, Suicídio, O complexo de Jesus, Elipse e Lições de amor. De maneira indireta, o autor mescla filosofia, antropologia, linguística, psicanálise e literatura em uma linguagem aparentemente simples e divertida. Durante a leitura, não há como evitar a sensação de déjà vu nas distintas situações vivenciadas pelo casal apaixonado em cada fase da relação. Além disso, é um alívio perceber que compartilhamos as mesmas expectativas e incertezas a respeito do amor. Em entrevista (Folha de S. Paulo, 23/03/97), De Botton faz um alerta a respeito dos riscos de sermos demasiadamente conscientes sobre o amor, afirmando que “pensar demasiado” pode acabar se tornando “pensar errado”. Por esse motivo, engana-se quem acha que vai encontrar um “manual explicativo” do amor. Muito além disso, o livro é um texto em aberto, um tributo à impermanência e uma lição de humildade a todos que se consideram experientes na arte de amar.

               

                Compartilho alguns trechos do livro, selecionados em nosso grupo de leitura:

 

“Nós nos apaixonamos esperando não encontrar no outro o que sabemos estar em nós mesmos – toda a covardia, fraqueza, preguiça, desonestidade, comprometimento e estupidez bruta. Jogamos um laço de amor sobre o escolhido, e decidimos que tudo o que cair dentro de algum modo estará livre de nossos defeitos e, portanto, digno de ser amado. Localizamos no outro uma perfeição que nos ilude dentro de nós mesmos, e por meio da união com o amado esperamos de alguma forma manter (contra evidências de todo o autoconhecimento) uma fé precária da espécie.” (p. 19, Karina Younan)

 

“O amor ensinava à mente analítica uma certa humildade, a lição de que por mais duro que ela lutasse para atingir certezas imóveis (enumerando suas conclusões e colocando-as em séries arrumadinhas), a análise nunca poderia deixar de ser falha – e, portanto, nunca se afastaria do irônico.”(p. 204, seleção de Paula Tavares Pinto)

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