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Diário da Região

28/06/2015 - 19h56min

A escritora Stella Maris Rezende fala ao Blog Entre Livros e Palavras

Conversa com Stella Maris Rezende

A escritora Stella Maris Rezende fala ao Blog Entre Livros e Palavras

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É fácil escrever para jovens nos tempos atuais? Quais são os desafios?

Escrever é sempre difícil, independentemente do público-alvo, porque o mais importante é tentar fazer literatura, a arte das palavras e dos silêncios. Os desafios dos tempos atuais talvez sejam ainda maiores, quando se constata que a maioria dos jovens prefere livros estrangeiros, séries que dão origem a filmes ou romances impregnados de estereótipos, modismos, ensinamentos e superficialidades. No entanto, eu tenho os meus jovens leitores, fãs por todo o Brasil, jovens inteligentes e sensíveis que não abrem mão de textos que priorizem a linguagem, porque literatura é linguagem; textos ricos em ambiguidades, contradições, conflitos e aspectos profundamente complicados que dizem respeito à fascinante complexidade da condição humana. Outro detalhe importante a ser apontado é que muitos jovens se tornam leitores a partir desses best-sellers e depois se cansam deles, ao confirmarem que são previsíveis e rasos. Aos poucos, sentem falta de algo mais condizente com a alma humana, portanto mais complexo e mais interessante. Como dizia o bibliófilo José Mindlim, “com o tempo, o gosto se refina”.

 

Como foi escrever “A mocinha do mercado central”? Qual é a mensagem principal dessa obra?

Quando escrevo um romance, não quero passar nenhuma mensagem, e sim contar uma história por meio de um trabalho com as palavras e as entrelinhas. Não planejo o que vou escrever. Vou jogando frases ou palavras a esmo, esperando que alguma coisa inaugure um enredo interessante. No caso de “A mocinha do Mercado Central”, de repente apareceu uma menina de nome simples, Maria Campos, mas que tinha uma amiga que sabia o significado dos nomes. Exibida e misteriosa, a amiga Valentina Vitória Mendes Teixeira Couto me estimulou a inventar viagens para a singela Maria, “a escolhida”. Levada pelas palavras “imagina”, “mágico”, “escolhida” e os significados de diversos nomes, a protagonista viaja por diversas regiões do Brasil e em cada lugar faz de conta que tem um nome diferente. Por meio de uma brincadeira com as palavras e seus significados, Maria viaja e aos poucos vai encontrando respostas para algumas de suas perguntas mais angustiantes. Viver é perguntar. Escrever é perguntar. Ao longo do romance, novas perguntas vão surgindo e ao final surgem outras, o que dá a ideia de que a vida é assim mesmo: complexa e cheia de mistérios. E gosto de imaginar que cada leitor lê o livro de um modo todo seu, diferente e rico de novos significados.

 

Como você lida com a carreira de escritora? É possível viver de literatura no Brasil?

Poucos autores de literatura vivem de livros no Brasil, porque a maioria dos leitores prefere livros de autoajuda, best-sellers e romances cheios de estereótipos. No meu caso, escrevo para fazer arte, não necessariamente para vender livros e viver disso. É claro que todos nós queremos vender livros, queremos ter leitores, mas, infelizmente, a boa literatura, ou a arte literária em si, não garante grandes vendas. Depois de ganhar 4 Prêmios Jabuti, principalmente por causa do Jabuti dourado de “A mocinha do Mercado Central”, Melhor Livro de Ficção de 2012, minha carreira literária melhorou bastante. Sou convidada a participar de inúmeras feiras de livros no Brasil e no exterior, faço palestras e ministro oficinas de leitura e escrita, daí me sinto feliz em poder continuar o meu projeto estético.

 

De que maneira os pais e professores podem incentivar nos jovens o gosto pela leitura?

Quem de fato ama a literatura acaba descobrindo como incentivar esse amor, essa paixão, esse encantamento que é para a vida toda. O professor leitor sempre sabe o que fazer para estimular o gosto pela leitura literária. No meu caso, leio poemas e trechos de romances em voz alta, de um modo que encante e revele a beleza de uma frase, de uma imagem, de um ritmo ou de um mistério sedutor. No meu livro “Esses livros dentro da gente – uma conversa com o jovem escritor”, Casa da Palavra, por meio de uma linguagem poética ofereço dicas para quem quer ser escritor ou um leitor mais crítico e sensível. Uma das dicas é a seguinte: “Tem que gostar de chuva no telhado. De borboletas na manhã de sol. De vozes abafadas na cozinha. De ruídos. De gestos. De cadeiras, cortinas, escadas, tigelas, pratos, garrafas, bules, anéis, forrinhos de crochê e espelhos. De rostos. De olhares. De castelos. De barracões. De todas as dúvidas. De todas as perguntas”.

 

Quais livros marcaram a sua vida?

“As mais belas histórias” - antologia de contos de fadas, “Angústia” -  Graciliano Ramos, “Dom Casmurro” - Machado de Assis, “Minha vida de menina” - Helena Morley, “Ciranda de pedra” - Lygia Fagundes Telles, toda a obra de Carlos Drummond de Andrade, “Grande sertão: veredas” - Guimarães Rosa, “Viagem” - Cecília Meireles e “Perto do coração selvagem” - Clarice Lispector.

 

Você tem novos projetos de publicação?

Tenho mais dois livros a serem publicados pela Globo Livros, ainda sem títulos definidos. Um deles fechará a trilogia infantil iniciada com “A poesia da primeira vez” e “A coragem das coisas simples”. O outro será o quinto romance juvenil por essa editora. Por enquanto, me dedico à reescrita exaustiva desses dois. Nenhum livro meu fica pronto antes de pelo menos dois anos de trabalho árduo e constante. Gosto muito de saber que ainda posso trabalhar bastante nesses textos, até chegar o momento em que o editor os enviará para a gráfica. Aliás, até no último instante eu ainda peço pequenas alterações, porque sou meticulosa, detalhista e exigente em tudo o que escrevo. O leitor merece o melhor de mim.

 

Mais informações, bibliografia completa, resenhas, vídeos, fotos e entrevistas no site: www.stellamarisrezende.com.br

 

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