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Diário da Região

11/10/2015 - 23h51min

Poesia

Antologia poética de Cecília Meireles

Poesia

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            Há muitas maneiras de fazer-se uma antologia, pode-se usar o critério estético ou didático, dependendo do objetivo que se tenha em mente. De acordo com Cecília Meireles (1963), “a melhor antologia é a que ele mesmo organiza, ao eleger, na obra completa de um escritor, aquilo que mais lhe agrada, embora, com o passar do tempo, se possa ver como o gosto varia [...] tão volúveis somos em nossas preferências e tão diferentes as perspectivas, no caminho da nossa evolução.” Por essa razão, consideramos Antologia poética (2013) uma obra singular, pois abarca poemas escolhidos pela própria Cecília Meireles e ainda conta com um prefácio sobre a primeira edição. Percorrendo as diferentes fases poéticas da autora, a seleção concentra-se em livros fundamentais e expressivos como Viagem, Vaga música, Mar absoluto, Retrato natural, Amor em Leonoreta, Doze noturnos da Holanda, O Aeronauta, Pequeno oratório de Santa Clara, Canções, Metal rosicler e Poemas escritos na Índia. Agregam-se, também, alguns poemas de Romanceiro da Inconfidência, uma obra de arte sobre o movimento que se tornou um dos símbolos de nossa nacionalidade.

            Nascida no Rio de Janeiro, Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi professora, jornalista, cronista, ensaísta e autora de literatura infanto-juvenil. Poemas como “Motivo” e “Retrato” ficaram tão populares que lhe renderam a honra de ser considerada uma das escritoras brasileiras mais amadas pelo público. No entanto, sua biografia revela que nem tudo foram flores. Desce cedo, Cecília precisou enfrentar os abismos emocionais decorrentes de uma série de catástrofes que lhe ocorreram ao longo da vida: primeiramente, a morte do pai, seguida do falecimento dos três irmãos mais velhos, a perda de sua mãe e, mais tarde, o inesperado suicídio de seu primeiro marido. Acredita-se que essa intimidade com a morte seja uma das razões para o profundo – e paradoxalmente delicado ? sentimento de “transitoriedade” impresso em suas obras, também chamado de poética “das alturas” por Manuel Bandeira.

            Para aguçar a curiosidade de todos, segue um poema retirado desta antologia (Mar absoluto, p. 75):

 

 

LEVEZA

 

Leve é o pássaro

e a sua sombra voante

mais leve.

 

E a cascata aérea

de sua garganta,

mais leve.

 

E o que lembra, ouvindo-se

deslizar seu canto,

mais leve.

 

E o desejo rápido

desse antigo instante,

mais leve.

 

E a fuga invisível

do amargo passante,

mais leve.

 

 

 

 

 

 

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