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Do outro lado


Quem sabe, no ano que vem
segunda-feira, 03/08/15, às 16:48, por
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– Ola! Sou repórter e estou fazendo uma matéria sobre o FIT. A senhora teria uns minutinhos? É coisa rápida...

Uma mulher de cabelos grisalhos é abordada no meio do Calçadão. Apressada, ela anda acompanhada de duas crianças, que leva pelas mãos. Com as bochechas vermelhas, quentes do calor do sol e do esforço da caminhada, a mulher para, e tenta ajeitar a bolsa pesada que começa a escapar-lhe de um dos ombros. Sem entender o que quer a interlocutora, ela responde com outra pergunta.

– FIT? Que negócio é esse de FIT? Fiquei meia hora no ônibus com essas crianças, um calor... Fui lá no INSS ver o negócio da minha pensão, tudo em greve, uma vergonha!

A repórter não desanima, e insiste. 

– Mas, a senhora ouviu falar no FIT, o Festival Internacional de Teatro? Tem todo ano aqui em Rio Preto. A senhora não ouviu falar, não viu nenhuma peça? Vamos ali naquela sombra, pra poder conversar melhor... – a moça sugere, e o grupo caminha até a marquise de uma loja.

– Fia, não tenho dinheiro sobrando, nem tempo de ir em teatro. É tudo longe de casa... tenho de fazer janta pra essas crianças, colocar pra dormir... No outro dia, mandar pra escola, cobrar lição. Isso, quando eles não somem pra rua e preciso sair procurando.

A moça ouve a história, mas, mesmo assim, não desiste.

– É que no FIT existe a troca de ingresso por livro ou um quilo de alimento, não paga. E as peças não são só em teatro, tem peça na rua também. O FIT deste ano terminou ontem, por isso me mandaram aqui pro Calçadão, pra ver o que a população achou.

A mulher, agora, demonstra um pouco de interesse na conversa.

– Então, acho que até sei do que você está falando, moça... Nos outros anos, essa criançada aqui sempre ficava assanhada, se reunia na praça pra ver o povo do teatro. Eu, cheia de serviço, não ia, mas eles me contavam depois. Esse ano não teve, né, meninada? – a mulher fala, olhando para as crianças, que concordam, balançando a cabeça. 

Uma delas, eufórica, entra no assunto: – Vó, a senhora lembra aquela vez que a gente viu uma peça na escola? E teve outra no terminal!

– É mesmo, menina! E aquele dia que vim aqui no Calçadão? Era um sábado, precisava pagar uma conta na Riachuelo, e a gente ficou um tempão parado, vendo uns moços fazendo umas palhaçadas – a mulher lembra. – Era o FIT também. Só que isso faz um tempão, né! – ela conclui. 

– Parece que a senhora não tá tão por fora assim – a jornalista diz, animada.

– Mas, moça, fala pra sua chefia que eu não achei nada desse FIT. Sabe, eu nem lembrava que existia isso na cidade. Você tem certeza que esse ano teve? As crianças não me falaram nada, é porque não viram nada...

– Então, senhora, teve sim... – a moça responde, constrangida. 

– Bom, fia, quem sabe, no ano que vem, eu te dou minha opinião. Agora, deixa eu ir pro terminal. Depois que chegar em casa, ainda tenho de ir buscar pão e passar no supermercado. Prometi fazer cachorro-quente na janta. Bora, meninada! 

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