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Do outro lado


Pedros pescadores
terça-feira, 21/07/15, às 13:52, por
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A pescaria no meio do concreto e do asfalto une há anos os amigos Pedro Santos e Pedro Paixão, que juntos somam quase um século e meio de vida. É para o trecho urbano de um rio da pequena cidade onde moram que eles seguem todas as manhãs. Lá se acomodam, bem pertinho do barulho e da fumaça do trânsito.

Ficam sentados por horas a fio, às vezes debaixo de um guarda-sol, no ritual de jogar a isca, e esperar, com toda a paciência, pelo o que ela trará. É raro saírem de mãos vazias. Em casa, comem o peixe frito. Às vezes, o rio está mais generoso, e levam até para os vizinhos. Às vezes, estão mais animados, e preparam o pescado ali mesmo, à beira do rio. Depois, intercalam o peixe com uns goles de cachaça. 

Nas conversas de bar, se orgulham em contar que no rio aparece um pouco de tudo: traíra, corimba, bagre... Teve um sábado, porém, que a sorte resolveu abandonar a dupla. Santos e Paixão fizeram confusão com o horário do primeiro ônibus que os levaria até o rio. Então, acharam melhor ficar em um córrego das redondezas.

- A gente chega lá numa pernada - previu Santos, ao xará.

Já eram quase 10 horas da manhã, quando Paixão percebeu alguma coisa estranha em sua isca – não deveria ser bagre, tilápia, nada disso... Foi preciso ficar de pé e, com certo esforço no movimento dos braços, o velho conseguiu puxar da água o que a isca fisgara.

O bicho se debatia com a boca enroscada no anzol, ao mesmo tempo em que era trazido, devagar, em direção aos amigos, a essa altura espantados com a situação. Paixão logo pediu a ajuda de Santos para o minucioso trabalho que teria pela frente. Não queria machucar o bicho, mas também era preciso devolvê-lo sem demora ao córrego.

De longe, um pedestre tudo observava, e decidiu comunicar a travessura dos pescadores à polícia ambiental, que não demorou em atender ao chamado.

Estavam distraídos na tentativa de salvar o animal quando receberam o enquadro. Os três foram levados à delegacia – Santos, Paixão e o cágado, ainda com o anzol grudado à boca. Com o susto, por pouco não deixam para trás o material da pescaria e o corotinho de pinga. 

Depois de muito chá de cadeira e algumas xícaras de café, resolveram liberar a dupla de amigos. Naquele dia, o que Santos e Paixão levaram da pescaria foi uma multa por crime ambiental. O cágado, animal resistente à poluição e adaptado ao ambiente urbano, saiu ileso e voltou para o seu córrego fedorento.

- Você acha que eu fui pescar com a intenção de maltratar aquele bicho? - era o que falava Paixão, já em casa, inconformado, ao tentar explicar a confusão em que se metera à mulher.

Mais tarde, para os amigos do bar, a pescaria do sábado transcorrera como de costume: teve muita traíra, corimba, e até bagre... 

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