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Do outro lado


Olinda e Toninho
segunda-feira, 05/10/15, às 10:16, por
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Os pedaços de açafrão estavam lá, em cima da mesa. Pela maioria, passaram despercebidos, menos por Sarah, que sabe fazer delícias na cozinha.

Ela pegou, quebrou um tiquinho, conferiu a cor, o aroma. O casal de anfitriões - os artistas Olinda Silva e Antônio Anjo, o Toninho - se animou na hora. Isso porque o açafrão não tinha apenas sobre a mesa, mas plantado na terra bem ao lado. Direto de lá poderia sair um pouco mais, para fazerem uma gentileza às visitas.

Quando percebi, dona Olinda já estava no quintal a cavucar o pedaço de chão onde, cheia de sabedoria, planta suas ervas.
Sem algo que sinalizasse, talvez a memória, daquele ponto onde estava debruçada tirou mais açafrão. Com a iguaria, as visitas prometeram preparar um arroz, um peixe...

Quase na hora de irmos embora, depois de muita conversa, dona Olinda chamou as mulheres até um canto do quintal. Quis mostrar uma planta com poderes medicinais que, como disse, cura infecções. Falou bem baixinho, queria o assunto apenas entre nós.

Vi na entrada da casa um imenso pé de erva cidreira, quase do meu tamanho. Lembrei então da primeira vez que visitei aquele lugar mágico, com poder de despertar inúmeras sensações em quem chega. Estava gripada no dia, e havia ido embora com uma sacola cheia de folhas de guaco, e a recomendação de dona Olinda de transformá-las em chá.

Ano passado, quando perguntaram a ela como gostaria de ser retratada em uma fotopintura do mestre Júlio Santos, na Bienal Naïfs do Brasil, em Piracicaba, não precisou pensar muito: “Quero ser uma índia!”, decretou.

Seus longos cabelos brancos caindo pelos ombros ganharam discretos tons dourados pelas mãos do artista. Sobre a cabeça, penachos verde e rosa apontando para o céu, como chamas. Um leve sorriso nos lábios. Os olhos, esses continuaram pequeninos e firmes. Dona Olinda, índia mais linda.

Aqui, um recado: Olinda e Toninho são alguns dos artistas locais participantes das mostras rotativas que acontecerão durante a exposição Cidade Inquieta, com início dia 15, no Sesc Rio Preto, dentro do festival de artes Breu. Uma baita oportunidade para conhecê-los e ao seu trabalho, que, na verdade, são uma coisa só. 

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