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Jocelino e sua mata
quinta-feira, 28/01/16, às 17:44, por
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“Aqui se matava porco, tirava leite de vaca, era uma chacrinha, e está sendo até hoje, e eu nunca estraguei. Eu tenho prazer de ver. Derrubar eu não vou derrubar, eu gosto do mato.” Encontrei esse homem de alma rústica numa tarde de janeiro de 2011. Jocelino estava sentado em uma cadeira no meio de seu pedaço de terra cheio de árvores centenárias. “Estava meditando”, conforme falou. 

Homem cheio de histórias, foram inúmeras as que contou na ocasião, como a do galo Zaqueu. Num minuto de bobeira, levou o animal para uma rinha. Depois, arrependido (mas como o bicho vivo), jurou que “nunca mais iria correr sangue de criação em seu terreiro”. Histórias como a do papagaio de estimação, que aos 43 anos já havia destruído duas televisões, e sempre ia dormir à meia-noite. 

Uma cobra coral guardada há três anos embaixo de uma lata de tinta depois de tirada da boca de um gato, Jocelino, naquele dia, também revelou ter. Quando era jovem, subia até o cruzeiro da igreja da pequena cidade sonhando tocar aviões que cruzassem o céu.

A máquina de fazer garapa, apelidada de engenhoca, referência de uma época difícil, descrita com riqueza de detalhes, estava ali. “Um dia, achei uma cana de dois metros, mais alta do que eu. Fazia nove dias que eu não tomava nem água, não tinha nada, estava pobre. Trouxe aqui, e saiu um litro e meio de guaraná. E eu bebi, era uma hora da tarde. Deitei e desmaiei, acordei quase meia noite.”

Uma ponta de vaidade surgiu quando Jocelino se preparou para ser fotografado. Levantou da cadeira e foi em direção ao pequeno espelho pendurado em uma árvore. “Não tira ainda não, deixa eu pentear meu cabelo. Se não, vão falar que eu 'tô' saindo da selva.” 

Não seria por acaso se assim fosse descrito. Na terra de Jocelino, a impressão foi que adentramos um mundo intocável - como se cada elemento estivesse no mesmo lugar há décadas. “Essa grade é da primeira cadeia de Paulo de Faria. Ficava num banheiro público e jogaram num ferro velho. Comprei por 15 cruzeiros”, avisou.

Uma explicação bem simples para o amor àquela terra: “Eu gosto daqui.”

 

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