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Do outro lado


Ela viveu 94 anos
domingo, 03/05/15, às 00:01, por
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Sabe aquelas delícias calóricas, como mantecal, crostoli (a cueca virada) e pão caseiro? Ela fazia tudo de olhos fechados. Pequenina, tinha mãos e braços fortes que enrolavam qualquer massa com agilidade. Muitas vezes, uma das netas acompanhava tudo de pertinho - tentava imitá-la, queria amassar seu próprio pão. 

Ela, que passou a infância e a adolescência em lavouras de café no interior paulista, com as mesmas mãos ajudou o pai a juntar riqueza, mas não teve direito a herança - era filha mulher. Talvez por isso também tenha aprendido apenas a escrever o próprio nome. Na verdade, era como se desenhasse cada uma das sílabas, lentamente: I-ZA-LI-N A. 

Era dona de uma fé de mover montanhas. Aos netos que tremiam só de ouvir a palavra “inferno”, ela costuma repetir: “depois da morte, todo mundo está guardado em bom lugar”. 

Criança, a acompanhava nos cultos de domingo à noite. Sempre caminhávamos até a igreja, e aquilo para mim era diversão.

Quando já estava na casa dos 90, encasquetou que queria um fogão novo, ainda que não cozinhasse mais. Usaria para esquentar um leite, fazer um café... Afinal, sempre quis um fogão novinho quando tinha menos idade.

Depois que perdeu o companheiro de toda a vida, ficou firme por mais 20 anos. Seu Juca, alto e magro, com seu chapéu de palha; ela, baixinha, com seu cabelo grisalho ajeitado em um coque baixo, sempre de mãos dadas chamavam atenção por onde passavam. 

Dois anos antes de ir embora para sempre, ela foi dada como desenganada. Driblou a expectativa dos médicos, e seu coração seguiu batendo até um mês antes de completar 94 anos. Há cinco, estamos sem ela. 

Dona Izalina deixou uma prole tão grande, que os familiares de uma cidade vizinha encheram um ônibus para lhe prestar as últimas homenagens. Teve treze filhos. Dez estão vivos. Netos somam mais de 50. O mesmo os bisnetos. Os tataranetos, hum... não sei a quantos chegam.

Mas sei que, a essa altura, ao lado de seu Juca, ela deve estar em um lugar muito bom lá no céu. 

 

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