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O Oeste Paulista e seus migrantes
domingo, 03/05/15, às 00:25, por
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O Oeste Paulista inicialmente atraiu um contingente de população oriunda de outras províncias, oferecendo oportunidades de acesso ou de posse da terra, intensificando as oportunidades de trabalho. Minas Gerais, no século 19, foi o núcleo exportador de pessoas para o Oeste Paulista. Em seguida, encontramos a Bahia, Pernambuco, e outras regiões do território.

Não eram apenas os homens que partiam e chegavam. As mulheres e famílias formavam um componente importante nos grupos migrantes. As mulheres, ao que tudo indica, migravam na condição de esposa, mãe ou filha. Com raras exceções encabeçavam os grupos, como era o caso de viúvas, e principalmente de mulheres casadas que conduziam a família ao encontro do marido migrado anteriormente e de um menor número de jovens adultas, solteiras à frente do grupo aparentado.

Origem mineira

É amplamente sabido que a ocupação do planalto ocidental paulista, ao norte e ao sul do rio Tietê, ocorreu no século 19, através de criadores mineiros, que chegaram à região a partir de diferentes pontos. A incursão de mineiros nos sertões paulistas decorreu de vários fatores como a decadência da mineração, a tentativa revolucionária de 1842, a guerra do Paraguai, quando muitos preferiam correr os riscos da vida na mata a alistar-se para o combate. (Monbeig-p:116)

Bem antes da chegada da ferrovia, nas últimas décadas do século 19, enquanto Rio Preto brigava por terras, grande parte das florestas permanecia intocada. O pequeno comércio girava em torno de tropeiros e viajantes que percorriam aqueles sertões. Mas os ecos da rentabilidade das explorações cafeeiras já repercutiam naquelas matas, desencadeando um processo de formação de fazendas.

 

diário história - José Antonio da Silva, Bois no curral José Antonio da Silva, Bois no curral

Os machadeiros

Por volta de 1890 começa a tornar-se comum a figura do machadeiro. "Os machadeiros trabalhavam em turmas... além de derrubar a mata virgem ainda cuidavam de queimar a vegetação seca e destocar o terreno, que assim ficava semi-pronto para as atividades de cultivo". Muitos nordestinos, liberados pela economia açucareira decadente, e negros eram contratados para trabalhar por tarefa. Um empreiteiro fazia o contrato com o fazendeiro, que fixava o trecho da mata a ser derrubada e os serviços a ser executados.

Cada machadeiro recebia por dia com direito a uma refeição. "Trabalhadores sem vínculos, errantes, esses machadeiros afundavam-se cada vez mais pelos sertões,derrubando matas, preparando a terra que o imigrante iria receber para cultivar. (Zenaide B.Ribeiro, O Café e a Vila-p.43). E os machadeiros chegavam, e a paisagem regional começava a mudar.

A vinda dos posseiros e dos grileiros

Com a expansão iminente da cafeicultura, surge mais um personagem na região. "Gente desconhecida que entra em confronto com os antigos posseiros radicados no fundo da mata, gerando lutas em cuja memória erguiam-se, à beira das estradas, lúgubres cruzeiros e capelinhas" (Zenaide Bassi Ribeiro - p.43. Café e a Vila)
Teoricamente, toda terra não doada em sesmaria era de domínio público. "Em 1850, a lei de terras permitiu o registro de posse aos que haviam ocupado as terras devolutas e iniciado o cultivo do solo. Em sua regulamentação, de 1854, essa lei não iria favorecer com a posse de terra a população mais pobre. 

Para a legitimação da posse não era suficiente as simples roçadas, derrubadas ou queimadas de mato ou campo, levantamento de ranchos, etc... Era imprescindível proceder às medições nos prazos marcados pelo governo. O não cumprimento ou omissão acarretaria a perda de seu direito. Com tais exigências, poucos seriam os habitantes mais humildes em condições de proceder a essas medições e de recorrer à ação legal para efetivar as posses. Com isso, propiciava-se a expansão da grande propriedade em detrimento da pequena. Os fazendeiros monopolizavam as melhores terras, deixando aos colonos os lugares distantes e pouco produtivos". (Costa, Emilia Viotti da - Da senzala colônia. P.72-73).

 

diário história - Jose Antonio da Silva, Caminho da Festa Jose Antonio da Silva, Caminho da Festa

O Oeste Paulista conheceu os grileiros e a prática dos grilos (Mombeig, P,- Pionniers et planteurs, 127). Não havia mais lugar para os antigos posseiros: ou se incorporavam às fazendas como agregados, alguns como assalariados, a maioria, ou eram expulsos para os centros urbanos.

Chegada dos imigrantes, no embalo do café

No final do século 19, o café foi se transferindo de uma região para outra. À medida que avançava para oeste e as matas eram derrubadas, chegavam os imigrantes externos ou internacionais. Já desde 1847 numerosos fazendeiros paulistas utilizavam nas lavouras de café o braço do trabalhador livre - nacional ou estrangeiro, segundo Alice Piffer Canabrava, em 'Esboço da história econômica de São Paulo'.

Os imigrantes alteraram a paisagem e as relações de trabalho. Em especial, os de origem italiana, incumbiram-se da formação e do trato dos cafezais. Grosso modo, esta foi a trajetória mais frequente na história dos imigrantes italianos da região, da então conhecida Alta Araraquarense: passam sucessivamente por inúmeras fazendas, numa incessante procura de chances de progresso, na esperança de tornar-se um pequeno proprietário rural independente ou estabelecer-se, na cidade, por conta própria e finalmente, ser seu próprio patrão.

No período compreendido entre 1880-1910, os imigrantes chegaram e suplantaram a antiga população de origem mineira. Passaram por fazendas das regiões de Araraquara e Taquaritinga e adjacências, numa incessante busca de chances de progresso. As correntes imigratórias vindas para o Brasil eram lideradas por italianos, que provinham principalmente de Vêneto, Calábria, Lombardia, Abruzzos e Toscana. Entre os espanhóis predominavam galegos e andaluzes. Instalaram-se na zona rural, outros porém, integraram o panorama urbano onde desempenharam atividades próprias em função de suas habilidades pessoais e culturais trazidos do país de origem.

Vieram também, pessoas de ocupações exclusivamente urbanas, nada familiarizados com o trabalho rural. Traziam alguns recursos e iniciaram pequenos negócios em vilas e cidades, no comércio, na prestação de serviços e na abertura de pequenas indústrias. Entre muitos, o nome de Peregrini Benelli, mascate de profissão, desde 1884; o engenheiro Ugolino Niccola Antonio Raffaello Melchiorre Ugolini, que chegou a ser eleito vereador da Câmara Municipal de Rio Preto, estão registrados na história de Rio Preto pela atuação na vila e toda a região.

 

diário história - Jocelino Soares, Plantação de café Jocelino Soares, Plantação de café

Não foi acaso que as primeiras indústrias de serralheria, de móveis, de máquinas agrícolas; de alimentos; carpintaria e marcenaria; as primeiras máquinas de beneficiamento de café e arroz; as primeiras padarias, as oficinas mecânicas; os primeiros condutores de carroças e carros de praça; os primeiros hotéis e bares fossem de estrangeiros.

Imigrantes de diversas etnias, (europeias ou não) organizaram as primeiras tipografias, cervejarias e cinemas; os primeiros músicos, fotógrafos, médicos, construtores e engenheiros, que se fixaram na cidade. A urbanização de Rio Preto se deu em ritmo lento, de 1852 a 1912, enquanto sua economia esteve fundamentada no trabalho rural. Nas primeiras décadas do século 20, a movimentação nas ruas da vila era intensa. Carroções cheios e mantimentos sulcavam o areão das ruas tortas. Tropas passavam puxando café para embarque no trem da Estrada de Ferro Araraquara, que somente em 1912 chegou a Rio Preto.

Crescimento populacional

Rio Preto sempre desempenhou papel de relevância no contexto regional. A partir dos anos 40, o ritmo de crescimento foi superior ao do estado de SP. A região que, na década de 60, caracterizava-se como uma área de evasão populacional, passou a receber migrantes de todas as regiões do entorno, configurando-se como um importante polo de atração de população no oeste paulista na década de 70.

"Somente as cidades de Franca (5,2%), Limeira (6.0%), Americana (6.9%) e São José dos Campos (7.7%), cresceram a uma taxa superior à de Rio Preto ". (Gonçalves), São José do Rio Preto: estudo de caso. No período de 1970-1991, o município mais do que duplicou sua população. Em 1991, contava com uma cifra superior a 203 mil pessoas e respondia por 53,6% da população da região.

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