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História da implantação da telefonia em Rio Preto
domingo, 06/09/15, às 00:00, por
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A partir do século 19, as inovações tecnológicas, como a invenção do telefone, do telégrafo, do automóvel e a substituição da energia a gás pela eletricidade em geral passaram a fazer parte do cenário da vida moderna. O telefone contribuiu para encurtar distâncias, suplantando o papel que anteriormente era exercido pelo telégrafo. Permitiu a descentralização de atividades, de tal maneira que muitas empresas e pessoas poderiam realizar seus negócios distantes do centro urbano.

Os senhores de café, do Interior, necessitavam de um meio de comunicação que fosse eficiente, pois tinham suas residências longe da capital paulista e faziam negócios com as cidades de São Paulo, Santos e com a capital federal. O marco histórico da instalação de companhia telefônicas na cidade e do uso do telefone no cotidiano rio-pretense tem início no final do século 19 e, efetivamente, no primeiro quarto do século 20, especialmente a partir dos anos de 1930.

Em Rio Preto, a instalação do sistema de comunicação interessou a muitas pessoas. Em 1897, Ugolino Ugolini, engenheiro italiano, obteve da Câmara Municipal a primeira concessão para explorar a rede telefônica por 20 anos. Porém, só dez anos mais tarde começou a funcionar, quando a Lei municipal número 77 deu a concessão dos Manoel Rodrigues de Carvalho. Em 28 de dezembro de 1908 atendia a 15 assinantes

Simultaneamente, o privilégio de instalar e explorar linhas telefônicas na região de Rio Preto, como Ibirá e Vila Adolfo (Catanduva), foi também concedido a Luiz Pietsch. Em 1916, a “Empreza Telephonica de Rio Preto”, criada por Manoel Rodrigues de Carvalho, passou às mãos de Demétrio Elias Madi, que estendeu sua atuação às nove cidades da região: Catanduva, Pindorama, Tabapuã, Santa Adélia, Ariranha, Cedral, Engenheiro Schmitt, Mirassol e Ibirá, buscando oferecer comunicações rápidas e seguras.

No Álbum de Rio Preto de 1918-1919, organizado por Fernando Oiticica de Rocha Lins, consta a relação dos assinantes da Companhia Telefônica de Rio Preto de propriedade de Miguel Moysés Haddad e Belmiro José Gomes, como diretor-gerente. Nele encontramos alguns dados interessantes: a empresa, de propriedade do senhor Elias Madi, tinha como seu gerente técnico-administrativo Belmiro Gomes e funcionava em prédio próprio na Praça Rio Branco.

Estavam em estudos vários projetos para novas linhas de comunicações, devendo em breve ter tráfego mútuo com a empresa de Taquaritinga, que permitiria ligações de maiores extensões. O atendimento aos pedidos de assinantes, de novas ligações, dependia do recebimento de nova mesa de comunicações, mandada vir diretamente do estrangeiro. Na lista dos assinantes encontramos, no centro de Rio Preto, 200 inscritos, na Secção de Mirassol, 50, na de Cedral, 30, e na de Engenheiro Schmitt, 7.

Em 1924, a empresa foi vendida para Moysés Miguel Haddad. Com o sucesso da expansão da rede telefônica em Rio Preto, seus diretores resolveram estender os serviços para cidades vizinhas, com novos cabos aéreos, numa extensão de 10.000 metros. O atendimento, porém, enfrentava grandes dificuldades, decorrentes especialmente da demora no intercâmbio das ligações, que podiam demorar horas.

No “Album Illustrado da Commarca de Rio Preto, 1927-1929” estão relacionados 300 assinantes em Rio Preto, 54 em Mirassol, 33 em Cedral, 33 em Ignácio Uchoa, 30 em Monte Aprazível, 20 em Potirendaba, 19 em Ibirá, 18 em Nova Granada, 16 em Engenheiro Schmitt, 14 em José Bonifácio, 13 em Tanabi, 11 em Bálsamo e 5 em Vila Neves.

Críticas e novas expansões

Após um período de críticas e discussões sobre os serviços prestados, teve início na década de 1940 uma nova fase de expansão da rede telefônica. A “Empreza” possuía em Rio Preto 600 aparelhos em funcionamento, dos quais 300 foram substituídos pelos modernos de “Galalite” e foram instaladas mais oito mesas de novos circuitos em algumas cidades.

As linhas de tronco foram substituídas por novos circuitos, cruzetas, isoladores de vidro e postes de aroeira em toda extensão. A “Empreza” tinha como sócio-gerente José Mussi, da Firma Moyses Miguel Haddad e Cia, “figura de maior autoridade no alto comércio riopretano, contando com largo círculo de amigos e admiradores. E trabalhando sempre pelo bem-estar e progresso do programa da empresa.

Novos serviços começam a surgir em 1950

Nos anos 1950, discutiu-se o contrato de concessão do serviço de telefonia automático que só foi inaugurado em 31 de outubro de 1953. Os serviços não atendiam os princípios de eficiência e rapidez tão desejados pela população. Em 14 de março de 1973, a Companhia Telefônica de Rio Preto foi encampada pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB). E, a partir de 18 de abril de 1983, passou a integrar a Telecomunicações de São Paulo S.A. Telesp. Foram gerentes regionais da Telesp em Rio Preto: Paulo Emídio Faria, Paulo Roberto Jorge dos Santos, Poty Peloso Jorge e Sergio Freitas de Paiva. 

Durante muitos anos, Moyses Miguel Haddad foi agente da General Motors, para a distribuição do veículo Chevrolet. Adquiriu várias fazendas, chegando a possuir mais de um milhão e meio de pés de café. Teve também uma grande atuação na Igreja Ortodoxa Antioquia, sendo um de seus fundadores e presidente do Conselho em 1935. Integrou a construção da Catedral e foi Presidente da Sociedade Jovens Sírios, em 1931, além de tesoureiro da Sociedade Beneficente de Rio Preto de 1926-28. Conselheiro da Associação Comercial, em 1953.

Dentre os melhoramentos introduzidos é de se notar que Rio Preto, Mirassol, Nova Granada, Pindorama, Monte Aprazível, Tanabi e demais cidades servidas pela “Empreza” acham-se dotadas de novo dispositivo de cabos aéreos, numa extensão de 10.000 metros. Essas mesmas cidades dispõem de redes de circuito metálico que as liga a Rio Preto. As linhas de tronco, em 1940, foram substituídas por novos circuitos, cruzetas, isoladores de vidro e postes de aroeira em toda extensão. 
A “Empreza” possui, então, em Rio Preto, 600 aparelhos em funcionamento, dos quais 300 foram, este ano, substituídos pelos modernos de “Galalite”. Foram instaladas mais oito mesas de novos circuitos em algumas cidades, onde também a “Empreza” conta com 600 telefones.

Nomes da telefonia em Rio Preto

Ugolino Ugolini, atualizado com as novidades europeias, tentou instalar na cidade e região de Rio Preto diversas inovações tecnológicas, dentre as quais a telefonia, porém sem sucesso prático.  Moyses Miguel Haddad (nascido em Ak Fargog no dia18 de abril de1884 falece em Rio Preto no dia 18 de março de1955). Era casado com Najla Mussi Haddad, também libanesa. Estabeleceram-se em Taiuva (SP), comarca de Jaboticabal, abrindo uma casa comercial. E aí permanecendo até 1920.

Naquele ano, transferiu-se para Rio Preto, arrematou a Casa Magaldi &Filhos, que deu origem ao grande estabelecimento comercial “Casa Moysés”, uma das mais tradicionais de Rio Preto. Comprou e desenvolveu a Empresa Telefônica de Rio Preto, em 1924. Adquiriu a antiga “Casa Magaldi”, transformando-a em “Casa Moysés” e a antiga Companhia Telefônica.
Essa empresa, instalada em 1916, não teve um desenvolvimento notado até 1936. Neste ano, Moysés Miguel Haddad, como concessionário único, agilizou o desenvolvimento da Empresa com iniciativas e novos empreendimentos.

Deu início a importantes melhoramentos, destacando-se a extensão da rede de circuito metálico até Catanduva, que facilitaria a comunicação com os grandes centros do País. Sem perda de tempo, iniciou seus trabalhos substituindo tudo que julgava necessário. Agiu sem restrições de despesas para dotar toda zona de um perfeito serviço telefônico. Em 1940, Moysés Miguel Haddad, radicado em Rio Preto há 25 anos, tem seu trabalho descrito na Revista “A Riopretana”, 1940/maio, pag. 27, tendo dedicado “o melhor de seus esforços para incrementar cada vez mais as possibilidades desta terra, granjeando com isso a recompensa de alto valor moral ao seu espírito dinâmico e incansável.”

 

 

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