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Famílias rio-pretenses 5
domingo, 14/02/16, às 00:00, por
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Giuseppe Bignardi (José Bignardi) nasceu em Argenta, Ferrara (região de Emilia Romagna), no dia 5 de maio de 1859, filho de Fernando Bignardi e Maria Golineri. Casado em primeiras núpcias com Cândida, teve as filhas Angelina e Josefina.

Viúvo, partiu de Argenta em busca de uma vida independente. Deixou o pai adoentado, os irmãos Augusto e Marcela, duas filhas (Angelina e Pina) do primeiro casamento num colégio de internato. Tinha temperamento forte, inteligente.

Veio para o Brasil tentar uma vida nova, disposto a enfrentar todos os riscos. Estava cheio de esperança e animado pelo espírito de aventura. Vinha com recomendação para trabalhar nas Lojas Baruel do Brasil e se perdeu durante o desembarque no porto de Santos. Seguiu para Pindamonhangaba, onde exerceu as funções de guarda-livros numa propriedade agrícola.

 

diariohistoria_familia Bignardi 2 O engenheiro Giuseppe Bignardi

Tendo estudado engenharia em Bolonha, passou a fazer demarcação de terras. Decidiu casar-se pela segunda vez e conheceu a jovem italiana Nazarena Tomazzi, recém-chegada da Itália com a família. Tiveram seis filhos: José Antônio, Jair (filha), Cândida Bignardi dos Santos, Maria Amélia, Zulmira Clara e Tibiriçá. Em família falavam italiano.

Mudaram-se para Araraquara, e o engenheiro passou a trabalhar para a Prefeitura na construção da estrada de ferro que estava sendo aberta para o oeste paulista, em direção a Rio Preto.

Algum tempo mais tarde, em 1917, transferiu-se com a família para esta cidade, sendo nomeado inspetor de Obras Públicas da Municipalidade de Rio Preto pelo então prefeito, o italiano naturalizado, major Leo Lerro.

Substituiu o dr. Ugolino Ugolini, engenheiro italiano que traçou a primeira planta da Vila de Rio Preto. Permaneceu no mesmo cargo durante a administração do prefeito Victor Britto Bastos (1931).

A prole constituída por Giuseppe Bignardi e Nazarena Tomazzi se radicou por gerações em Rio Preto. Formaram uma família numerosa e atuante na comunidade.

José Antônio Bignardi foi nomeado por Victor Brito Bastos, em maio de 1919, arquivista da Câmara Municipal. Teve uma filha.

Cândida Bignardi casou em 1921 com Ignácio dos Santos, natural de Tamengos (Portugal), que veio para o Brasil em 1914, fixando-se em Rio Preto três anos mais tarde.

 

diariohistoria_familia Bignardi 3 Giuseppe e Cândida Bignardi

Tiveram seis filhas:

Nazareth dos Santos, casada com o dr. Dirceu Penteado, teve filhos;

Maria José dos Santos (casada com Amilcar Eduardo Rodrigues, teve filhos;

Jair dos Santos (casada com Osmar Abrita), nove filhos;

Nair dos Santos (casada com Osvaldo Savi Lucon), dois filhos;

Eunice dos Santos (casada com Nelson Fassini);

Marilidia dos Santos (casada com Luis Angelo Contim Goes), três filhos.

 

A música do Quaranta alegrou a cidade

O maestro, músico e compositor Raphael Quaranta Archangelo nasceu em Pico (Itália) em 4 de julho de 1867. Quando estava no Brasil, durante uma viagem a Araraquara conheceu a jovem Faustina Barbatto, 16 anos, italiana, nascida em Campobasso no dia 15 de agosto de 1887, filha de Antônio Barbato e Margarida Lerro Barbato (prima do major Leo Lerro).

Casaram-se em 1911 e em Araraquara, tiveram os filhos:

Catarina, nascida no dia 18 de maio de 1903; Margarida, nascida no dia 5 de outubro de 1905; Josephina, nascida no dia 31 de agosto de 1907; Elvira, nascida no dia 19 de janeiro de 1909; Lidia, nascida no dia 30 de dezembro de 1913; Helena, nascida no dia 8 de fevereiro de 1914; Ermelinda, nascida no dia 24 de janeiro de 1917, casada com Sebastião Carlos Balbino (pais do médico Antônio Sérgio Balbino, nosso informante); José, nascido no dia 27 de janeiro de 1922, casado com Déa Tonelli Quaranta (irmã de Aldo Tonelli); Maria Aparecida, nascida no dia 1 de outubro de 1926; e Mário, nascido no dia 28 de março de 1930.

 

diario historia_familia Bignardi 4 Maestro Quaranta com a Orquestra Municipal de Rio Preto

O casal Quaranta transferiu-se para Rio Preto a convite do Major Léo Lerro, primo de sua esposa. Aí a família cresceu com o nascimento dos quatro últimos filhos, mencionados acima.

Durante sua permanência em Araraquara, Raphael Quaranta regia a banda daquela cidade.

Chegou a Rio Preto em 1917, quando Major Leo Lerro era prefeito e contratou-o para formar a Banda Municipal.

A banda foi composta por 7 músicos que se reuniam todas as noites para ensaios diante do Hotel D´Oeste. Partiam do Hotel d’Oeste, propriedade de Antônio Lage, na rua Bernardino de Campos, nº 3046 (hoje, Hotel Chamonix) e percorriam a Bernardino da rua Silva Jardim até a rua Cila (na Redentora), com paradas.

Executava seu repertório até o Éden Parque, cinema localizado duas quadras acima, onde por muitos anos esteve instalado o Banespa, atualmente o Santander.

Seguiam pela rua Bernardino de Campos, chegando ao Estádio Victor Britto Bastos, do Rio Preto Futebol Clube. A área posteriormente foi sede do INSS e um conjunto de salas médicas.

Aos domingos e feriados, a população se reunia ao redor do coreto da praça Dom José Marcondes, para apreciar o espetáculo musical da orquestra.

O coreto do “jardim novo”, imitando quiosque, fabricado pela Companhia Mecânica e Importadora de São Paulo, de ferro e madeira, era a grande atração da praça. A construção desse coreto valorizou a banda de música. Nele, os músicos de apresentavam tocando tuba, sax, cornetas e afins.

 

diario historia_familia Bignardi 5 Raphael Archangello e Faustina Barbato Quaranta comas quatro primeiras filhas: Catarina, Elvira, Lídia e Helena

Um fato ocorrido com o maestro Quaranta, relembrado com frequência, faz parte do folclore rio-pretense e do seu anedotário. Contam que a banda devia ir para uma cidade da região, talvez Araraquara, e o maestro enviou telegrama aos promotores do evento, com os dizeres: ”Segue Quaranta e otto músicos.”

A cidade aguardava uma banda numerosa e preparou um banquete para 48 músicos. Espantados com o pequeno número de integrantes da banda, perguntaram ao maestro: “Cadê os outros?”

Ele, italiano expansivo, respondeu:

“Quaranta sou eu, e estes são os meus oito músicos. A banda está completa.”

Como maestro da Orquestra Municipal de Rio Preto, no período de 1917 a 1932, ele alegrou todos os eventos da cidade, animando as quermesses e comemorações, os bailes do Clube 7 de setembro, as noites no coreto do jardim central, nas cerimônias fúnebres, nos cemitérios e no dia de Finados, bem como quando algum apostador rio-pretense da Lotérica Chalet e mais tarde, na Favorita, era premiado com a sorte grande.

Tocava em todos os jogos do Rio Preto Esporte Clube. No campo do clube, executava sua composição Verde e Branco, em homenagem.

Durante décadas de sua história, Rio Preto inteira parava para ver a banda passar, trazendo alegria e música para todos. A música e os músicos mereciam a atenção e o respeito da comunidade.

Raphael Quaranta compôs um hino em homenagem ao bispo Dom Lafayette Libânio, por ocasião de sua chegada a Rio Preto, em 1931. Formou muitos músicos, entre os quais os famosos Zaccarias e Moura.

Regeu a orquestra pela última vez no dia 19 de março de 1932, executando a protofonia da ópera O Guarani, de Antonio Carlos Gomes, de sua predileção.

Adoentado, seis meses mais tarde, Raphael Quaranta faleceu em Rio Preto, em 15 de setembro de 1932.

Durante a Revolução de 1932, os participantes da banda se alistaram. A viúva do maestro Quaranta doou todos os instrumentos musicais para a Revolução Constitucionalista de 1932.

No dia 15 de setembro de 1963, faleceu Faustina Barbato Quaranta, 31 anos após o marido, na mesma cidade, dia e hora.

 

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