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Antonio Corrêa Leite da Silva
domingo, 22/03/15, às 00:39, por
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A preocupação com os assentamentos de dados relativos aos nascimentos, casamentos, óbitos, vem de longa data. Eles comprovam a naturalidade da pessoa, sua idade, filiação, relação de parentesco, seu estado civil e a circunstância do seu falecimento. Contar com um Distrito de Paz era não só um ato político que demonstrava o progresso do lugarejo encravado no sertão, como também vinha atender às reclamações decorrentes da ausência da Justiça civil local tão distante de Jaboticabal (30 léguas) e de Araraquara (50 léguas). Pela Resolução Provincial de 22 de março de 1855, foram nomeados os primeiros juízes do Distrito de Paz de Rio Preto, com mandatos de um ano, que atendiam a vasta área distrital estabelecida por lei, cujos limites eram: rio São José dos Dourados, rio Paraná, rio Grande, ribeirão Alexandre e rio Preto.

O bairro, distrito de paz e policial (1855) se transforma em freguesia (1879) e em vila (1894), com a instalação do poder municipal.
A partir de então, é longa a lista dos nomeados para proceder ao Registro Civil das Pessoas Naturais de Rio Preto em virtude do crescimento populacional. No município de Rio Preto existem hoje vários cartórios de subdistritos. O Cartório 1º Subdistrito iniciou seus serviços com a nomeação do escrivão Theolindo José de Paula, oficial do Cartório de Registro Civil em mandatos anuais, em 1886, 1892, 1895 e 1898. Passou às mãos de Antonio Rocha e José Salles Filho. E em janeiro de 1905 assumiu João Gomyde; a seguir, Abner Gomyde, de 1937 a 1968, quando se aposentou.

 

Jandyra E Antonio 1928 - Casamento de Jandyra Rodrigues e Antonio

Em seguida, vieram a oficial maior Maria de Oliveira e Silva Gomyde, de 1968 a 1979; Abner Gomyde Junior, de 1979 a 1995; José Antonio Stefani assumiu em 1995, Paulo Paes Silvado e o suplente Airton César Gonçalves e em 2007, David Yamaji Valença até os dias atuais.
Dando prosseguimento ao resgate da história, focalizamos o Cartório 2º Subdistrito (Boa Vista), que teve como titular Lourival da Cunha Viana e um de seus juízes de paz, Antonio Corrêa Leite da Silva.

 

Comprou bilhete de loteria e casou

Antonio Corrêa Leite da Silva nasceu na cidade de Araraquara, no dia 5 de fevereiro de 1901, filho de Pio Corrêa da Silva Leite e de Elisa Cecilia Corrêa da Silva, naturais de Tietê. Pertencia a tradicionais famílias paulistas, conforme consta da Biblioteca Genealógica Brasileira, volume 9, Família Paulista, 1960, escrito pelo juiz de Direito Isaú Correa de Almeida Moraes. Corrêa trabalhou na empresa Meias Lupo, em Araraquara. Num final de ano, comprou um bilhete de loteria e foi premiado. Comprou casa para ele e para os pais. Ficou noivo de Jandyra Rodrigues e casou-se em 1928.

 

 

 

 

 

 

Leopoldino Ferreira Lemos Leopoldino Ferreira Lemos foi um juiz de paz longevo: assumiu o cargo em 1856, deixando-o em 1892

O casamento foi realizado em Rio Preto, e os convidados viajaram em um vagão da EFA, especialmente alugado para este fim. Foram residir em Araraquara, onde nasceram seus filhos: Cleyde Apparecida Rodrigues da Silva, que se casou com Orlando Vernucci; e Claudio Amâncio Rodrigues da Silva, casado com a profa. dra. Natalina Freneda Vilches da Silva. Em 1973, mudou-se para Rio Preto onde trabalhou, inicialmente, num estabelecimento comercial que funcionava onde é hoje a Galeria Bassitt, na rua Bernardino de Campos esquina com a rua Marechal Deodoro.

 


Com o tempo, montou seu próprio negócio, um armazém de secos e molhados, Empório Silva, na rua Dr. Presciliano Pinto com a rua Tiradentes, na Boa Vista. Católico muito prestativo, viveu uma vida simples com a esposa e os filhos. Todos os anos, iam à Mirassol na tradicional Festa de São Pedro e aos domingos percorriam em ônibus da Circular Santa Luzia os bairros de Rio Preto para conhecê-los e observar o desenvolvimento da cidade.

Corrêa sofria de diabetes, tomava diabnese e seu aperitivo era uma pinguinha no almoço e no jantar. Após ter fechado o armazém, juntamente com a esposa foi morar com o filho Claudio e a nora Natalina, cercado pelos netos que o adoravam.

 

 

 

 

Antonio e Jandira Noivado de Antonio e Jandira em 1928

A vida em cartório

Em 1960, Corrêa tinha sido nomeado juiz de paz do 2º Cartório de Registro Civil da Boa Vista. A ele cabia certificar-se de que os nubentes preenchessem os requisitos legais constantes do novo Código Civil Brasileiro, pois não os havendo, o casamento não poderia ser realizado. Presidia casamentos que deveriam ser realizados do nascer ao pôr do sol, com as portas sempre abertas.

Exerceu suas funções com Lourival da Cunha Viana, primeiro proprietário e titular do Segundo Cartório de Registro Civil de Rio Preto, na Boa Vista, criado em 1935. Eram muito amigos e trabalharam juntos quase duas décadas. Adoecendo, foi internado na UTI do Hospital Beneficência Portuguesa, de Rio Preto, vindo a falecer no dia 2 de março de 1976. Sua esposa Jandyra, também diabética, faleceu em 28 de agosto de 1978.

 

 

 

 

Antonio e Lourival da Cunha Viana Antonio (juiz de paz) e Lourival da Cunha Viana (titular do 2º Subdistrito de Registro Civil

O primeiro foi quase vitalício

Quem inaugurou a função no Bairro de Rio Preto foi Leopoldino Ferreira Lemos (foto à esquerda, na página), que veio de Minas Gerais na leva dos primeiros mineiros em busca de terras, estabelecendo-se na região, com sua família. Seu nome e de seus familiares consta da lista enviada em 1852 à Câmara de Araraquara, em que moradores do Bairro de Rio Preto, solicitavam a criação do Distrito de Paz.

Leopoldino assumiu em 1856 e permaneceu em exercício até 17/4/1892, como juiz de paz de Rio Preto, contrariando a própria Constituição Imperial de 1824, como relata, com detalhes e preciosa documentação, o prof. Agostinho Brandi, no capítulo 12 - "Uma estranha autoridade: Leopoldino Ferreira Lemos", no livro: "São José do Rio Preto 1852-1894 - Roteiro Histórico do Distrito. Contribuição para o Conhecimento de suas Raízes".

 

 

juiz de paz Antonio e Lourival Casamento presidido por Antonio e Lourival

Quem foi juiz de paz: 

:: Leopoldino Ferreira Lemos
:: José Dulcidio Pereira Mesquita
:: Capitão Crescencio José Carlos
:: Pedro do Amaral Campos
:: João Bernardino de Seixas Ribeiro
:: Capitão Porfírio de Alcântara Pimentel
:: Luiz Francisco da Silva
:: José Severiano do Amaral Salles
:: Tenente Coronel Valencio José Barbosa
:: Ezequiel de Guimarães Corrêa
:: Marcolino Marques da Costa
:: Luiz de Goes Piestch
:: Capitão Lindolfo Guimarães Corrêa
:: Capitão Faustino Corrêa de Almeida
:: Francisco de Paula Lisboa
:: Capitão Deliro de Ávila
:: Guilherme Germann
:: Capitão José Mendes de Oliveira
:: Dr. João dos Reis Meirelles
:: Dr. Manoel Antonio de Matos Filho
:: Dr. Ernani Pires Domingues
:: Major Leo Lérro
:: Angiolino Caselli
:: João Baptista França
:: Feliciano Salles Cunha
:: Victor Britto Bastos
:: Gualter de Carvalho
:: Manoel Pedro Alcântara
:: Alberto Salles de Almeida Leite
:: Pedro Borghesan
:: Deocleciano de Souza Vianna
:: Capitão Sebastião de Almeida Sobrinho
:: Dr. Justino Moreira do Espírito Santo.

- Relação 1867 a 1966, arrolados no livro do dr. Pedro Paulo de Castro Paes: “A grande São José do Rio Preto” (Tipografia São Domingos S/A, Catanduva).Leopoldino Ferreira Lemes


<b>Observação:</b> Na lista de juízes de paz, ainda incompleta, constam nomes de famílias que provavelmente ainda hoje têm seus descendentes fixados em Rio Preto e região. Solicitamos, caso possuam, informações sobre a história familiar e seus descendentes, bem como fotos para prosseguirmos no resgate dessa história, em próximos capítulos.

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