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Diário da Região

30/08/2016 - 00h00min

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Vira-latas somos nós

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Durante as Olimpíadas, voltou à moda a célebre metáfora de Nelson Rodrigues sobre o nosso complexo de vira-latas. Vira-lata é cão de rua, sem raça determinada, ensina o Dicionário Aurélio. Entendo que toda a população brasileira não tem raça determinada e reflete uma grande mescla de influências índias, africanas e europeias e, mais recentemente, também de orientais.

Parte da imprensa internacional ficou espantada com a preocupação brasileira em relação às notícias e julgamentos feitos no Exterior sobre os Jogos Olímpicos. Tudo o que saía era motivo aqui de reportagens, incluindo o comentário de um jornalista sobre a qualidade do biscoito de polvilho. Onde já se viu alguém desdenhar de nossa iguaria gastronômica?

Na verdade, todos estavam preocupados e a primeira coisa que fizemos foi ler as análises sobre a abertura dos Jogos. Respiramos aliviados quando soubemos que as reações foram boas e que havíamos passado no primeiro teste. Realmente, o início foi extraordinário, sem erros e mostrou ao mundo uma diversidade estética invejável. Seguiram-se as disputas olímpicas.

Antes, já houvéramos passado pelo vexame proporcionado pela grita dos australianos e pela gafe do prefeito Eduardo Paes. Os chineses também reclamaram e outros, como os americanos, que saem do país bem ensinados de como se comportar, não reclamaram, mas contrataram por conta própria os consertos necessários à sua delegação na Vila Olímpica. Mas eles cometem também os seus deslizes.

Eduardo Paes, com inexplicável exposição global, especializou-se em falar bobagens. Carlos Arthur Nuzman, com coragem, falou mais do que devia, mas milagrosamente não foi vaiado.

Os organizadores saíram-se bem. Os políticos, todos em baixa e sem autoestima, não se aventuraram a falar. Nem mesmo o presidente interino foi poupado na abertura, embora todos os cuidados tenham sido tomados, incluindo a ausência do anúncio de seu nome. Mas, como se diz, no Brasil se vaia até minuto de silêncio.

Quando a trapalhada de Ryan Lochte veio à tona, todos acreditamos. Entre nós, o crime de roubo é tão banal que sequer pensamos sobre a possibilidade de estar sendo enganados pelo "bad boy" americano. Foi necessário que a Reuters fizesse uma reportagem mostrando os nadadores entrando belos e faceiros na Vila Olímpica para que a desconfiança se instalasse.

Aí nos superamos. Polícia, Ministério Público, Comitê Olímpico e todos os que tinham alguma responsabilidade pelas Olimpíadas lavaram a alma e mostraram ao mundo a eficiência de nossas instituições públicas. O caso sequer terminou. Toda notícia prejudicial a Lochte é consumida avidamente. Todos nos regozijamos com sua perda de patrocínios. Mas não se preocupem muito: ele não ficará pobre e nem perderá suas medalhas, nada menos do que uma dúzia, mais do que vários países.

Estamos aliviados e felizes, mas sabemos que não temos complexo de vira-lata. Nós somos, figurativamente, vira-latas, seja pela mistura de raças ou pelo espírito predatório que regem os nossos costumes, especialmente os políticos. Nesse campo, somos especialistas em rodízio de ladrões, mas essa não é uma modalidade olímpica.

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