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Diário da Região

22/05/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Tom Zé e a reação do menino

Painel de Ideias

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Por esta, ele não esperava. Apesar de desafiador e instigante, o compositor e cantor Tom Zé haveria de se surpreender com a reação do menino.

Minha primeira lembrança do artista provocador, instigante, incômodo, vem do Festival de MPB, da TV Record, em 1968, que ele venceu com “São, São Paulo, Meu Amor”. Bem antes do festival, já havia participado com Caetano, Gil, Gal e Bethânia de espetáculos fundamentais na história da música nacional, como o “Arena Canta Bahia”, e outros, que consolidariam o Tropicalismo.

Até a primeira metade da década de 1970, viveu boa popularidade, mas caiu no ostracismo após o lançamento do disco “Todos os Olhos”, considerado “demasiado experimentalista”, o que o afastou do público. Em 1976, lançou o álbum “Estudando o Samba”, formidável, mas a freguesia já lhe havia virado as costas.

As coisas ficaram tão mal que se viu obrigado a voltar à sua cidade natal, Irará, na Bahia, para trabalhar como frentista em posto de gasolina de um sobrinho. “Sua música não tocava na rádio, os discos não vendiam, os shows rareavam. Tom Zé entrou em depressão”, diz matéria na internet. Num extremo de baixaria, chegou a mandar Caetano tomar no... impublicável. O próprio Caetano contou isso no Programa do Jô. Com o tempo, felizmente, a depressão passou.

Hoje, o gênio provocador desfruta fama, especialmente fora do Brasil. Está com três músicas na trilha da novela Velho Chico, da Globo. E voltou às fanfarronices e a dizer que faz arte para incomodar.

Aqui entra o Serzinho, do alto de seus quase 7 anos de idade, e sua reação surpreendente, insólita, a uma manifestação do artista. Noites atrás, assistíamos à reprise de algo como “Tom Zé Especial”, no Canal Arte 1. O menino acompanhava, divertidamente, o discurso apocalíptico do compositor. Em dado momento, o programa mostrou o artista chegando ao Festival de Montreux. Enquanto os músicos afinavam instrumentos, o menino se levantou e disse que ia rapidinho ao banheiro.

– Aumenta o volume, pai, para eu ouvir de lá – pediu.

Enquanto isso, na TV, Tom Zé inicia um protesto diante do que estava encontrando no festival:

– Além de eu ser pobre, f..., de país de terceiro mundo, fdp..., eu faço uma música sofisticada. Se esses músicos de primeiro mundo não conseguem fazer o som que a minha música exige, eu não me apresento aqui. Minha música tem de incomodar!

E mostra, no piano, o que queria do acompanhamento. Martela as teclas, que produzem sons agudos, identificados como as notas lá e si pelo meu suspeito conhecimento musical. Repete as notas demoradamente.

Do banheiro, o menino grita:

– Pai, abaixe um pouco a TV. O Tom Zé está atrapalhando a minha concentração. Assim, não consigo fazer cocô.

Aqui entre nós, por esse tipo de reação à sua arte, Tom Zé não esperava. Doido como é, capaz até de comemorar.

 

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