X
X

Diário da Região

03/03/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Silva, 2016

Painel de Ideias

NULL NULL
NULL

Em 2016, aniversariam históricos feitos do Silva. Há 70 anos, um feitiço da sorte impeliu sua descoberta, no concurso com que se inaugurava a primeira Casa de Cultura de Rio Preto. Era 1946 e, aos 37 anos, morava com a família num quarto de favor e sobrevivia como guarda-noturno de hotel. Pintava por prazer ou pela necessidade íntima de plasmar, com imagens, lembranças rurais e silhuetas da alma. A guiar-se pelo instinto, não tinha noções do que era apreciado nas cidades. Naquele dia, sonegaram-lhe o prêmio indicado pelo júri da Capital, mas não o oculto desejo de haver-se como artista.

Apenas 20 anos depois, em 1966, sua obra foi realçada em verbete da enciclopédia Delta-Larousse, publicada no Brasil em quinze volumes. Nesse mesmo ano, há 50 anos, participou de exposições de pintura moderna brasileira em Paris e Moscou. E foi distinguido com “Sala Especial” na Bienal de Veneza, a mais tradicional do planeta. Este 2016, marca sobretudo o cinquentenário de quando a arte naïf nacional adotou José Antônio da Silva como um modelo do estilo, junto com Heitor dos Prazeres. E abriu cancha para que telas de nosso caipira integrassem as coleções do Museu de Arte Moderna e do MASP, em fase de organizações.

Porém, se aclamado até no além-mar, se suas telas eram elogiadas por Pietro Maria Bardi, Assis Chateaubriand e parte da crítica paulistana, se já fora tema de reportagens em revistas e jornais influentes, em Rio Preto seguia à míngua e seus quadros lhe eram não mais que um prato de comida. Ante o estridente vexame, o governador sugeriu ao prefeito rio-pretano que lhe ofertasse emprego na Prefeitura. A contragosto, foi nomeado servente da Biblioteca Municipal. E, até se aposentar, coube-lhe o dever de abaixar-se às faxinas, varrições de pisos e obediência aos barnabés.

Recuperar a fé implica renúncias e revisões; sorte que Silva nunca a perdera. Em seus romances (alfabetizou-se sozinho) narrou um sonho: implantar um museu de arte na cidade. Em 1966, buscou prefeito e revelou seu intento. “Nos fundos da biblioteca há uma área disponível. Eu doo os quadros, troco minhas telas com obras de outros pintores” – prometeu. Foi tratado com desdém: “Você não é artista nem aqui e nem na China”, teria ouvido de volta. Que fiasco!

Desistir? Nem que a lua caia do céu! Vestindo a fama de que o matuto é ardiloso e ludibria autoridades, Silva telefonou ao setor de obras e disse que, por ordens superiores, ele mesmo orientaria as reformas do local, a serem concluídas com urgência. E, assim, há 50 anos, Rio Preto ganhou seu primeiro museu, o Museu Municipal de Arte Contemporânea. O alcaide bufou, mas era fato vibrante, a notícia ecoou na imprensa. E, dois anos após, o MAC foi outra vez inaugurado, agora por lei e a bênção dos mandachuvas.

Silva aquietou-se há 20 anos, de velho e o coração na mão.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso