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Diário da Região

05/05/2017 - 00h00min

Artigo

Regras para uma guerra

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Edvaldo Santos NULL
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Em outras épocas, os combates de guerra se davam corpo a corpo, como verdadeiro duelo entre soldados, um em face do outro. Por causa da distância, quando chegava o reforço, a guerra já tinha terminado.

Nestes tempos, "clics" mandam drones com bombas em alvos certeiros e mísseis a mais de dez mil quilômetros, imediatamente enchendo de ruínas e cadáveres os territórios de lado a lado, mas ao mesmo tempo esvaziando o destemor com que se haviam os antigos soldados. Se não chega a ser um ato de covardia, por certo não se aproxima da coragem.

Segundo Paul Valéry, "a guerra é um massacre de homens que não se conhecem em benefício de outros que se conhecem mas não se massacram". Os motivos dados para as guerras, sejam religiosos, políticos, econômicos etc., estão apenas à socapa da incurável imbecilidade do homem por não ter ainda aprendido que evitar uma guerra é melhor que vencê-la.

Considerando que as guerras, por teimosia dos homens, são inevitáveis, é necessário mudar o "methodus pugnandi" delas, com inserção de regras rígidas do antigo duelo que, curiosamente, sobreviveu até 1992 no vizinho Uruguai que isentava de pena quem matasse ou ferisse nesse tipo de confronto pessoal.

Duelo vem de "bellum" (guerra) e por anexação de "duo" virou "dubellum", portanto guerra travada entre duas pessoas. Similarmente, toda guerra no mundo deve acontecer somente entre duas nações. Isso acabaria com a história de arrastar ou se arrastarem para ela outros países, de potencializar e expandir os conflitos.

Instituir o Tribunal de Honra para julgar se determinada nação foi mesmo atingida em sua honra. Outros motivos não devem autorizar a guerra, porque soldados somente combatem por honra da pátria, como mostram as justificadas homenagens póstumas que a eles são feitas.

No duelo, as armas devem ser absolutamente iguais, e não podem pertencer aos duelistas. É proibido revólver por um e espada por outro, que devem ser da mesma marca, calibre ou dimensão. Assim, as armas não podem pertencer aos países contendores, senão por outros, que os apadrinham. A regra evita a utilização de bomba-mãe ou torpedo-pai contra uma bomba ou um torpedo qualquer, e mísseis intercontinentais contra ordinários. A paridade nas armas, em qualidade e quantidade, torna o jogo justo.

Limites. O duelo comum podia ser limitado ou à primeira gota de sangue, ou ao ferimento incapacitante, ou à morte. E, a um tiro ou dois, porque três fariam cair no ridículo os duelistas pela falta de pontaria. A morte é sempre o limite na guerra, que não é propriamente desejada pelo soldado, mas a quantidade de disparos que faz contra o seu homólogo é exigida pelo instinto da sobrevivência.

Os catastróficos resultados dos atuais conflitos poderiam ser minimizados por essas regras do antigo duelo, cujo desafio era feito com um golpe de luva ou deixar cair a luva aos pés do desafiado que, se a pegasse, aceitava o combate. Como se percebe, só acontecia com os mais sensíveis e suscetíveis de ataque em sua honra suposta, os aristocratas e endinheirados, qualidades que parecem não ser da Coreia do Norte.

 

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