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Diário da Região

12/02/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Queremos vocês conosco

Painel de Ideias

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2009. Maio. Véspera da Expo de Fernandópolis. Perto da meia-noite. O Conselho Tutelar me chama. Um menino pobre, 13 anos, em situação de risco. Que os conselheiros não sabiam o que fazer. Fui até a sede do Conselho. Os dedos do garoto, magro, estavam pretos, encardidos, trincados. Os policiais me explicaram que aquilo era do uso de crack. O problema era: para onde levá-lo? Não havia abrigo na cidade. Os policiais foram incisivos: “Se o soltarmos, ele volta para a boca”. A conselheira me encarou com certo desespero no olhar: “Dr., esse menino vai morrer desse jeito”.

Cada profissão, a sua dificuldade. A minha, decidir. Determinei, ali mesmo, a internação dele, o que significou inseri-lo na cadeia pública. No dia seguinte, realizamos uma audiência no Fórum, onde convencemos a mãe que o filho deveria se tratar. Depois, graças a uma inesquecível parceria com a Unimed-Fernandópolis (que arcava com todos, friso, todos os custos do tratamento de menores acolhidos no nosso programa, pagando clínica, enxoval, etc,) encaminhamos o menino para uma comunidade terapêutica particular, cara, onde ele ficou por quase nove meses.

Acompanho até hoje a trajetória desse rapaz. Ele foi e voltou. Várias vezes. Neste momento, sofreu uma terrível recaída. Com mais de 18 anos, a mãe está desesperada, pois o filho apanhou de traficantes. Vendeu o som e a TV da casa. Mesmo assim, esmigalharam o seu maxilar pela dívida não quitada. A mãe o alimenta com sopa.

Essa história, que, na verdade, é apenas mais uma dentre tantas outras semelhantes, serviria para uma conclusão que parece óbvia. De que adiantou o esforço dos conselheiros tutelares, dos policiais? Houve algum resultado da nossa decisão, da ação da Unimed, já que ele permanece dependente? Então, por certa lógica muito comum, prevalecente, teríamos que entregar os pontos. Porém, a confiança dessa mãe permanece. Ela nunca deixou de acreditar na Justiça. E se ainda somos merecedores desse sentimento sublime, é porque ainda estamos em débito com a juventude.

Em março, visitaremos bairros carentes em Rio Preto, com alta incidência de meninos e meninas no tráfico, no uso de drogas pesadas. Não podemos atuar com o toque de recolher. As instâncias superiores do Judiciário revogaram a medida. E nós obedecemos, obviamente. Sem críticas. Sem desânimo. Apenas ajustando o trabalho ao que foi determinado. Daí o projeto denominado de Proteção Itinerante. Para dizer aos menores em risco que abordarmos: “queremos vocês conosco”.

Não será fácil. Sabemos bem muito do que envolve esse grave problema. Mas, afinal de contas, para que serve a Justiça da Infância e da Juventude? Exatamente para os piores casos, os qualificados como insolúveis, em que a desesperança permeia. Nossa polícia está pronta. Os agentes de proteção também. Os conselhos tutelares serão nossos novos parceiros. Esse é o começo. No caminho, esperamos ganhar novos colaboradores, da sociedade, principalmente. Adiantamos que nossa abordagem deverá ser feita com respeito, chamando o adolescente pelo nome. Trazendo a família ao diálogo. Buscando encaminhamentos concretos.

Claro que não basta a disposição. O preparo. Tudo deve obedecer aos ditames da lei. E, como a miséria humana também é nossa, por nossas falhas, que não são poucas e pequenas, rogamos uma força extra, superior, fundamental.

E aqui entrego uma oração que aprendi, com muita delicadeza. Sem qualquer pretensão outra que não a de reconhecer a nossa falibilidade. “Deus! Mostre-nos que o Senhor ama esses meninos e essas meninas!”. Esse, o primeiro passo.

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