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Diário da Região

08/12/2015 - 00h37min

Artigo

Presidente, senador e ditos

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JOHNNY TORRES NULL
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Muitas forças políticas se articularam para impedir a chegada do deputado Eduardo Cunha à presidência da Câmara Federal. Em vão, apesar de todas as articulações contrárias, ele se elegeu. Homem ligado à religião seria de se esperar que sua Excelência assumisse o cargo e passasse a trabalhar no sentido de ajudar o país a sair de todas as crises, de várias naturezas, em que está o Brasil mergulhado. O que fez o ilustre deputado? Passou a encaminhar os projetos, ou a não encaminhá-los, segundo os interesses seus e não, segundo os interesses da nação. Usando os pedidos de impeachment para, deles, tirar proveito. Encaminhá-los ou não encaminhá-los, dentro dos prazos que ele estipulava e, a seguir, modificava segundo aquilo que a ele interessavam. 

Estava com o poder na mão. Fazia das circunstâncias objeto dos seus interesses particulares. "Faço isso ou faço aquilo, no tempo e hora em que eu desejar, segundo os meus interesses particulares, e não, segundo os interesses do país". 
Essa semana, porém, a política mudou, confirmando o dito de que a política é sempre a arte do acontecimento do improvável. Bem por isso, aceitou o pedido de impeachment da Presidente. Outro político, líder do partido do governo no senado, intentou uma manobra, não do interesse do povo brasileiro, nem daqueles que o elegeram. Esqueceu-se de ler o evangelho, onde o Livro Sagrado afirma que tudo aquilo que é oculto, uma hora virá à luz. A tratativa referente à fuga do Cerveró da Petrobrás foi gravada e aí o circo pegou fogo. A gravação foi daquelas coisas que o nosso caipira afirma que são de "arrancar pica-pau da moita".

Dava a entender que ministros do Supremo Tribunal Federal eram manobráveis e, obedeciam aos interesses políticos, não do Brasil, nem da ética, mas dos eventuais donos do poder. Na desesperada tentativa de consertar o inconsertável, o político declarou que aquilo que fizera, o fizera por questões humanitárias. A palavra humanitárias termina com ésse. Meu estimado leitor, no caso, substitua o s por cifrão ($). A grafia ficará da seguinte forma: humanitária$. Finalmente, o que o termo dito popular do título tem a ver com tudo isso? Vejam, "a esperteza, quando é demais, ela vira bicho e engole o esperto". De Cunha, descobriram uma conta na Suíça, em banco que é o valhacouto da corrupção na América Latina. Alegou que o dinheiro aplicado não era dele, mas que só o usufruto era dele. E a origem? Origem? Ah! - "Foi vendendo carne enlatada na África". Essa afirmação cheira tão mal que deve ser carne de gambá enlatada. Entenderam? Não? Nem eu. Finalmente, sei lá porque, mas tudo isso traz-me à mente o catimbau de Catulo da Paixão Cearense: 

"Valha-me Nossa Senhora
Mãe de Deus de Nazaré
Já fui homem, fui menino,
Só me falta ser muié,
Mais forte que Deus no mundo,
Mais forte que o diabo inté,
É a cornada do chifre do zóio de uma muié".
Há de perguntar o leitor: "E isso, o que tem a ver com o caso?"

Sei lá. Mas deve ser a mesma coisa que têm a ver as falsas alegações do político que afirmou agir por razões humanitária$ e, do outro, que vendeu carne de gambá enlatada na África, para justificar o depósito bancário. 

WILSON ROMANO CALIL
Médico, advogado e ex-Rio Preto 

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