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Diário da Região

20/03/2016 - 00h00min

Artigo

Pelo amor ou pela dor

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Edvaldo Santos Alexandre Caprio é psicólogo cognitivo-comportamental
Alexandre Caprio é psicólogo cognitivo-comportamental

O relacionamento afetivo é, sem sombra de dúvidas, um dos motivos que mais levam as pessoas a procurarem terapia. Na maioria das vezes, é a mulher quem dá o primeiro passo em busca de ajuda profissional. O homem apresenta uma resistência maior, talvez porque seja culturalmente incentivado a lidar com seus problemas e dores calado. Um silêncio que, geralmente, custa muito caro para sua saúde física e mental. Não é novidade que os atritos e as separações causem grande nível de sofrimento. 

Independentemente do motivo, muitas pessoas procuram ajuda para compreender as reais causas por trás de um rompimento. Daremos, aqui, atenção especial a uma delas: um dos motivos clássicos que levam o homem a terminar uma relação. Na semana que vem, eu procurarei inverter e mostrar um dos motivos clássicos que levam a mulher a colocar um ponto final. Eu sempre digo que absolutamente toda forma de absolutismo é estúpida - e isso inclui esta frase.

Mas algumas regras simples são difíceis de serem questionadas e as próximas palavras representam uma delas: é muito difícil gostar de quem não se gosta, respeitar quem não se respeita e amar quem não se ama. Isso vale para qualquer tipo de relacionamento, seja ele profissional, social ou afetivo. Comecei dizendo isso porque a mulher é perita em se anular para agradar o parceiro. Faz isso porque confunde a insegurança e o sentimento de posse do homem com valorização e proteção. Quando uma mulher se submete dessa forma a um homem, praticamente aceita a condição de objeto.

E, convenhamos, objetos não precisam ser respeitados nem conquistados, apenas usados. Inseguro, o homem isola gradativamente a mulher e a despersonaliza, tirando dela tudo aquilo que a torna admirável - a ideia é justamente não chamar a atenção de outros homens. Ele a proíbe de se vestir como antes, de se maquiar como antes de se divertir como antes, de se relacionar com as amigas e até interagir com a família. É limitada a trabalhar e cuidar da casa, em uma espécie de liberdade assistida que jamais se aplicará a ele. Pensando estar protegendo e promovendo a relação, a mulher aceita com resignação essa desigualdade de poder, compactuando com o machismo e imaginando que tais sacrifícios serão recompensados.

E, assim, dia a dia, perde sua beleza, sua vivacidade, sua vaidade e o brilho que, antes, iluminava seus olhos. Já o homem, seguro e desinteressado de sua devotada esposa, olhará para as mulheres que estão fora do seu controle. Sentirá uma atração magnética por elas e pelo desafio da conquista. E, então, a traição será só mais uma etapa - ou mais um 'tapa' - de uma agressão iniciada há muito tempo. Ele chegará em casa e dirá, em tom grave, que não a ama mais, que ela mudou, engordou, ficou feia e que não é, nem de longe, a mulher que ele conheceu. Indignada e com o coração dilacerado, ela ainda implorará e se submeterá a mais humilhações. Mas será tarde demais. O medo de perder a levou diretamente à perda. 

Em meio ao caos, desorientada e esgotada, procurará ajuda e finalmente compreenderá que foi cúmplice de toda a tragédia. Perceberá que foi abandonada justamente porque se abandonou antes. E quando conseguir se reerguer e reencontrar sua identidade, despertará mais uma vez a admiração dos outros, incluindo quem a usou e descartou. Um belo dia a campainha tocará. Do outro lado da porta um homem 'arrependido' anunciará mudança e pedirá uma segunda chance. Independentemente da decisão a se tomar, ela já terá aprendido que aquele que não teme a perda sempre dominará a relação, e que, pelo amor ou pela dor, para que tenhamos um jardim de flores devemos, antes de tudo, trazer as sementes conosco, lançá-las e cultivá-las. E, como sempre foi e sempre será, a vida refletirá e retornará a nós exatamente aquilo que temos dentro de nossos corações. Nada mais. Nada menos. 

 

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