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Diário da Região

18/02/2015 - 01h45min

 

Patrimônio vivo

 

O desmatamento da Praça Cívica para construção do terminal urbano é um contrassenso. Já estamos pagando o preço do nosso descaso com a natureza.Nenhum projeto pode compensar tamanha agressão ao meio ambiente. Falou-se em derrubar, inicialmente, mais de uma centena de árvores, como se fosse nada. É simplesmente estarrecedor. Pesquisas científicas recentes comprovam que árvores adultas, como as que querem sacrificar, quanto maiores e mais antigas, mais eficientes se tornam na limpeza do ar, retirando o CO² com maior rapidez e intensidade do que as menores e mais jovens. Temos na Praça Cívica um patrimônio vivo, formado, num lugar estratégico, dentro do parque setorial, que a legislação em vigor jamais poderia negligenciar. Destruí-lo nesta circunstância e trocar um tesouro verde por mais uma fábrica de poluição de alta toxicidade. A política não pode caminhar assim tão divorciada da ciência. Buscar o progresso degradando o meio ambiente é retrocesso, coisa de Terceiro Mundo, que devemos repudiar. Estudo feito pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade da USP constatou que a poluição da cidade de São Paulo provoca três vezes mais mortes do que aquelas causadas por acidentes. É um mal cumulativo. As ações do presente são determinantes no futuro. O terminal é necessário e urgente. Mas não precisa ser ali, à custa de um bem maior, que beneficia a todos igualmente, ajudando-nos a suportar as altas temperaturas e um dos piores ares que se tem para respirar.


A grande empreitada humana, neste século, é minimizar a situação crítica a que chegou o planeta. Preservar o meio ambiente, coibindo o desmatamento e reduzindo a emissão de gases poluentes, principalmente nos grandes centros urbanos, está na pauta do dia dos agentes públicos empenhados nas transformações que o momento nos impõe. E esse movimento mundial pela recuperação do planeta, passa por aqui também, exigindo de todos nós, um comportamento ético e cooperativo. O inusitado é morar numa cidade extremamente poluída, com excesso de veículos, pontos de lixo a céu aberto, praças abandonadas, marginalizados desassistidos, marginais à solta, carência de arborização e, apesar de tudo, achar que a solução está na construção de um terminal urbano no lugar errado, sem observar os princípios básicos do desenvolvimento sustentado. O centro expandido cada vez mais se assemelha a um mosaico de peças desencontradas, comprometido no visual e na insalubridade ambiental, sem um planejamento urbanístico que lhe permita evoluir para um modelo diferenciado, protegido pelo cultivo do verde, higiênico e confortável. Poderíamos ter um belo terminal num lugar adequado e uma bela praça com todos os equipamentos de cultura e lazer recuperados, voltando a ser, inclusive, o laboratório de botânica, ao vivo e em cores, que num passado recente recebia grupos de alunos para aprender num cenário privilegiado. Subestimar o histórico desta praça, sua função profilática, estética e social, cultural e educativa, local da maior e melhor biblioteca pública da cidade, só pode ser fruto de uma visão profundamente equivocada da realidade, difícil de compreender e aceitar.


IUNCI PICERNI BAVARESCOProfa. Dra. em Ciências da Comunicação (USP), pedagoga e arte educadora



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