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Diário da Região

07/11/2015 - 00h00min

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O sentido da vida (e da morte)

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Naturalmente, como muitos, senti o impacto trágico da morte de uma criança de 4 anos, vítima de picada de escorpião, e o consequente suicídio dos pais (quando escrevo, a mãe ainda sobrevive).

A mim mesmo me pergunto por que razão escrevo sobre fato tão doloroso e tão recente, e só encontro resposta na necessidade que tenho de compreender o sentido das coisas que nos acontecem de forma imprevisível.

A atitude dos pais, que buscaram na morte a fuga de uma vida que para eles perdera todo o sentido, é compreensível do ponto de vista tanto psicológico quanto psiquiátrico. Muitos de nós não suportaríamos também o peso dessa tragédia.

A perda do filho representou-lhes a perda do sentido, que eles reencontraram apenas na morte.

É claro que nem sempre as perdas e quebra de vínculos essenciais levam à fatalidade de tal desfecho. O psiquiatra vienense Victor Frankl, falecido no final do último século, era um judeu que durante a Segunda Guerra Mundial fora preso com toda a sua família em campo de concentração nazista.

Embora perdesse toda a sua família, ele sobreviveu, principalmente graças à sua incansável busca de compreensão de um sentido para tudo aquilo que acontecia à sua volta. Hoje, Victor Frankl é considerado o pai da Psicoterapia Existencial.

Há um sentido para a vida e um sentido para a morte. O que mais nos afeta, no entanto, é a lei da imprevisibilidade, pois é o trágico inesperado que pode nos levar ao desespero além do desespero, que nos impede de elaborar perdas e continuar em frente.

Não nos damos conta, nunca, da lei da impermanência, porque ela nos obriga a pensar e sentir sobre o inevitável fato de que tudo é provisório em nossas vidas.

Eu mesmo sinto a tristeza da alma ao digitar esta crônica. Em vários momentos tive vontade de deletá-la, fazer morrer estas frases carregadas do trágico sentimento de vida, mas estou aqui dando a ela uma continuidade que não sei aonde chegará.

Sei apenas que preciso escrever, preciso deixar jorrar de mim o luto incorporado da tragédia de um outro, com quem comungo neste momento a dor da perda (porque ainda estou vivo).

Na vida comum de todos os dias, ninguém prepara um churrasco com algumas cervejas, para trazer de volta um filho agonizante até a morte. Como lidar então com o imprevisível ?

Não há como lidar com o imprevisível, por isto rezamos maquinalmente em muitas situações de perigo.

Destino, forças sobrenaturais, acaso, azar, tudo pode explicar a natureza de acontecimentos trágicos como este. Mas a explicação não consola, não alivia e não raras vezes só faz aumentar o nível da raiva e da revolta com Deus e o mundo todo.

Por que eu?, perguntamos. Por que tinha que acontecer comigo?, insistimos. Só que os pais do garoto picado pelo escorpião não quiseram se fazer tais questionamentos.

Só nos resta, então respeitar suas escolhas.

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