Diário da Região

07/12/2007 - 01h05min

O grande nó

Preste atenção: o déficit comercial dos Estados Unidos foi de 764 bilhões de dólares em 2006. Os países que se beneficiaram dessas vendas, em sua maioria, asiáticos, tomaram esse dinheiro e o transferiram de volta aos cofres americanos, através da compra de títulos do Tesouro. Com isso, o fluxo de capitais para os Estados Unidos financiou a estabilidade da economia e manteve altas as compras dos consumidores americanos. Outra grande fonte de dinheiro desses vorazes consumidores foi à onda de hipotecas, financiando a longo prazo o florescente mercado imobiliário. A compra e a recompra de casas, sempre valorizadas, acrescentou a incrível soma de 800 bilhões de dólares no mercado americano, entre 2004 e 2006. Seria razoável supor que essa situação mudasse em alguns anos. Foi o que aconteceu em 2007. Os bancos centrais obrigaram-se a reduzir juros e a injetar dinheiro na economia. Não é preciso ser um grande economista para notar que um sistema como esse tem prazo de validade. Aí reside o grande nó da economia mundial: uma recessão nos Estados Unidos será fatal para a continuidade do crescimento dos países emergentes, especialmente os quatro que formam o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Uma tese tem sido muito difundida no Brasil, sobretudo pelos economistas do governo. Os emergentes seriam capazes, por si mesmos, de alimentar a economia mundial e neutralizar os efeitos de uma forte desaceleração americana. Mentira! A economia americana é ainda o maior motor da economia mundial.

Outro raciocínio tupiniquim mostra que a economia brasileira não está tão vinculada à americana. O Brasil possui bons fundamentos, capazes de brindá-los diante de uma eventual recessão. Falácia! A economia mundial é interdependente e o que acontece em um país acontecerá em outro. É o efeito dominó. Tudo seria mais simples se o dólar se mantivesse estável. Como vem sofrendo desvalorização após desvalorização, as pessoas, empresas e governos começam a abandoná-lo como moeda de referência. Você pode imaginar como seria, por exemplo, se a China trocasse um trilhão de dólares de suas reservas por outra moeda, certamente o euro? Claro, ninguém é louco de fazer isso ao mesmo tempo e abruptamente. Seria, como já disse um economista, um tsunami de dólares, a maior tragédia de todos os tempos da economia mundial. Todos têm interesse em manter o dólar como moeda de fluxo internacional e querem a economia americana sempre forte. Para o dólar e a economia americana se manterem saudáveis será preciso que os Estados Unidos se livre de seus problemas. Ora, mas para os americanos saírem desses e de outros problemas econômicos, um passo será estancar o grande déficit comercial. Como fazer isso, sem prejudicar as economias que dependem do mercado americano? Aqui serve muito bem o ditado brasileiro "se ficar o bicho come e se correr o bicho pega". Gisele Bündchen, a modelo brasileira que reside em New York, resume bem a situação atual. Do alto de sua própria exuberância, diz: "quero os meus contratos em euro".

LAERTE TEIXEIRA DA COSTA
Vice-presidente da UGT; Rio Preto

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