X
X

Diário da Região

18/10/2014 - 00h06min

 

O futuro da educação

 

Em seus "Ensaios", Montaigne (Michel Eyquem de Montaigne - 1533/1592 - político, filósofo, pedagogista e escritor francês, considerado como o inventor do ensaio pessoal) há cinco séculos criticava a fórmula de ensino então adotada. E ela quase não mudou. Aulas prelecionais, alguém falando para dezenas de educandos distintos. Cada qual com um temperamento, uma família, hábitos e idiossincrasias diferentes. Depois estranha-se quando apenas alguns dentre eles deem certo.O que estamos fazendo com a educação? Transmitindo dados, fazendo com que a criança decore e treine memorização. Sem a menor noção de uso inteligente dessas informações em sua vida. Sem a preocupação de fazê-la feliz. Por isso é que a educação quase sempre deseduca. No sentido de tornar-se maçante, desinteressante, chata, insossa. O indivíduo não é respeitado. Procura-se moldá-lo de acordo com um padrão que já não vigora. Quem já não notou que crianças muito bem dotadas não se acostumam com o regime escolar? Hiperativas, irrequietas, mereceriam atenção especial, exatamente porque são potencialmente ilimitadas. Podem atingir os píncaros de um desenvolvimento que a escola não sabe administrar. Ficam e terminam seus cursos os mais limitados, os que não se indignam, os que se curvam e, lamentavelmente, os medíocres.


É óbvio que há exceções. Mas uma educação que priorizasse as individualidades daria muito mais certo. Não seria preciso a reunião de especialistas do mundo inteiro para concluir que o ensino do futuro será uma espécie de monitoramento do jovem, com os professores como tutores e não como os "donos da verdade". É preciso incutir na criança a vontade de ler, de pesquisar, de descobrir ela própria a maravilha do universo. Não doutriná-la e deixá-la despersonalizada, a repetir bobagens que, até o momento, são consideradas como integrantes do processo educacional. O pior é que o modelo de transmissão do conhecimento por alguém considerado detentor exclusivo do acervo de verdades já detectado pela ciência vai sendo replicado nos demais graus da escolarização convencional. O trágico ocorre nos cursos de Direito, que são mais numerosos no Brasil do que a soma de todos eles existentes no restante do mundo. De que adianta espalhar bacharéis em ciências jurídicas por este País, se a sensação de impunidade e injustiça é o que mais habita as consciências lúcidas ainda suscetíveis de serem tomadas por indignação?


JOSÉ RENATO NALINI Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP)


>> Leia aqui o Diário da Região Digital

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso