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Diário da Região

14/02/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

O Dia do Repórter e as ‘homenagens’

Painel de Ideias

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Essa raça dos jornalistas ganha mal, mas é homenageada como poucas. Estamos às vésperas do Dia do Repórter, comemorado na terça-feira, dia 16. São seis afagos por ano. A bajulação chega ao ponto de termos dois dias – dois! – como Dia do Jornalista: 29 de janeiro e 7 de abril. Existe até dia do padroeiro dos jornalistas, São Francisco de Sales, em 24 de janeiro. A ONU decretou em 1993 que o dia 3 de maio será sempre dedicado à Liberdade de Imprensa. Por fim, em 1º de junho, temos o genérico Dia da Imprensa.

E parece que não surte efeito prático. Há uns caras por aí que não se sensibilizam. No meio da entrevista, saem no grito, no braço e até na bala com os jornalistas. Em 2015, segundo o Estadão de 29 de dezembro, o Brasil registrou o maior número de assassinatos de profissionais de imprensa dos últimos 23 anos.

E os bate-bocas? O rio-pretense senador Aloysio Nunes (PSDB) virou protagonista de um deles. Em maio de 2014, mandou um entrevistador àquele lugar: “Vá à pqp, vagabundo!” Usei a abreviatura do palavrão, mas o senador, não. Mandou por extenso. Pavio curto – o que não é adequado a políticos – Aloysio sentiu-se desrespeitado pelas perguntas do blogueiro e sugeriu-lhe recolher-se àquela tal de pqp. Tudo gravado.

O deputado Jair Bolsonaro (PP), homofóbico extremado, recebeu há poucos dias em Porto Alegre uma descarga de purpurina na cabeça, em evento que contava com presença de grupos LGBT. Sorriu, controlado. Mas, em abril de 2014, não apresentou o mesmo equilíbrio diante da repórter Manuela Borges. Ela o questionava sobre a importância histórica do Golpe de 1964. Ele, fã da Ditadura, respondeu aos gritos de “Você é uma idiota! Você é analfabeta!”

Petista também perde a linha. Em novembro de 2010, o presidente Lula, indagado sobre o porquê de visitar tanto o Maranhão de José Sarney, respondeu ao repórter: “Isso é preconceito. Você tem de se tratar, fazer psicanálise.”

Até a proverbial malemolência baiana sucumbe durante certas entrevistas. O melhor episódio, que me ocorre neste rápido resgate, traz à cena o baiano e então ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, em evento no qual foi vaiado em Salvador. O repórter Antonio Fraga, da TV Itapoã, perguntou: “Ministro por que sua presença provoca tanta confusão?” A primeira resposta foi: “Quem faz confusão é sua mãe.”

Diante da sequência de vaias ao ministro, o repórter repetiu a pergunta. ACM gritou: “Faça o favor de respeitar o ministro, seu fdp!” (Também por extenso, gravado e divulgado depois no jornal da TV.) Toninho Malvadeza ainda se aproximou de Fraga e murmurou-lhe ao ouvido: “Eu lhe mato, fdp!” De novo, sem abreviar. E ao se afastar, pisou fortemente no pé do jornalista.

Na terça-feira é Dia do Repórter. Que Deus os livre de tanta homenagem.

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