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Diário da Região

29/03/2015 - 02h42min

O Brasil que queremos

Tenho absoluta consciência de que sendo eu um simples médico não deveria aventurar-me nessa seara, certamente dominada por especialistas bem-preparados para lidar com o difícil campo da economia e suas vertentes. Fazer a análise das condições econômicas, de famílias, empresas ou nações, é possível, embora à medida que o volume de informações aumente, crescem também as dificuldades em obtê-los e equacioná-los. Tarefa extremamente complexa é fazer prognósticos! Tomadas medidas que teoricamente se mostram as mais acertadas, poderemos ter certeza de que o resultado será aquele desejado? Este é o sentido desta palavra forte: "prognóstico". Neste campo, sinto-me até confortável, pois em medicina lida-se o tempo todo com este dilema: o tratamento produzirá os resultados esperados? Tão importante tornou-se esta interrogação na medicina, que deu origem a uma nova área do conhecimento: Medicina Baseada em Evidências (MBE). O conceito fundamental de MBE, já era explorado na França desde o século 19, mas só cristalizou-se com a publicação de David Sackett, no British Medical Journal em 1996, trazendo uma definição bastante abrangente: "Medicina baseada em evidências é o uso explícito, judicioso e consciente da melhor evidência atual, na tomada de decisões sobre o cuidado de pacientes individuais".
Usando estes critérios, associados a experiência do médico e o desejo do paciente, é possível extrapolar o resultado do tratamento, com um grau variável de certeza avaliado estatisticamente. Desta forma, pode-se dizer a um enfermo, com um coeficiente de acerto de 95 a 99%, qual será sua evolução durante determinado número de anos. 

Seria tal raciocínio aplicável a uma nação economicamente doente, como o Brasil hoje?
Meu raciocínio talvez seja simplista, querendo aplicar este princípio para avaliar quais medidas são importantes para que uma nação deixe de ser pobre e subdesenvolvida, enquanto outras são ricas e desenvolvidas. O "destino" dos países tem sido explorado em muitos estudos e em vasta literatura dedicada ao assunto. O livro "Armas, Germes e Aço - Os Destinos das Sociedades Humanas", de Jared Diamond, professor de Geografia na Universidade da Califórnia, continua atual, pela análise impiedosa da evolução dos diferentes países. "Jared utilizou conhecimentos da geografia, da botânica, da zoologia, da arqueologia e da epidemiologia, para demonstrar como a diversidade humana é resultado de um processo histórico, e não de particularidades atinentes à inteligência e ou aptidões". Segundo os dados disponíveis, o Brasil historicamente tem todas as condições para ser um País desenvolvido. Se a natureza nada nos nega, porque não chegamos ao desejado nível de evolução? Visando a resposta, recorro ao artigo: "Fazer a nossa parte", de Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, Folha de S.Paulo (24/2): "Enquanto não for dada prioridade ao setor que produz, vamos ficar andando em círculos. Nas empresas, apesar de tudo, é ter sangue-frio para seguir no trabalho de planejar investimentos, estabelecer metas, buscar eficiência, cobrar resultados, qualificar mão de obra e, sobretudo, investir em gente que goste do que faz".
O mesmo vale para as nações. Ao Brasil só falta ter rumo e prumo, nada mais!

DOMINGO BRAILE
Professor emérito da Famerp e Unicamp

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