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Diário da Região

08/12/2015 - 00h00min

Painel de Ideias

Mal sabe o Pero Vaz...

Painel de Ideias

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Por tanto reencarnar como si mesmo, Pero Vaz de Caminha perdeu a noção do tempo. Parado, na manhã deste dia 8 de dezembro de 2015, pediu à Imaculada Conceição a luz para dar conta ao Rei das tramas que na nova terra avista.

Ao bem da verdade, Pero pensa não saber direito a que rei ou rainha enviar a missiva. Soube que já os havia por aqui, no próprio Brasil, mas seria um tal Eduardo, o Achacador, ou deveria mandá-la à rainha Dilma, a Impoluta.

Dei com o pobre logo cedo, com pena e pergaminho em punho, tentando traçar as más linhas na escadaria do Mercadão, de onde olhava para frente, lia e ralhava: “Poupar tempo, poupar tempo, os gajos nos mandar poupar tempo, mas por que raios passam séculos nos tomando o tal com inverdades e descalabros?”.

Com a curiosidade à vista e o olhar enxerido, pude fotografar com o celular, indiscreta e furtivamente, parte do primeiro parágrafo: “Senhor(a), posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escreveram a Vossa Alteza, a notícia do achamento desta Vossa terra nova, não sei se vos disseram, que nossas naus se extraviaram! O Capitão Cabral já não anda, atolado que está na lama de um tal Rio Doce, mais lá acima. Cá, nós, depois de nos tocar um barquinho, por um diacho de uma enchente, que em se chovendo sempre se dá, perdemos a rota e nos demos num novo rio, repleto de placas, nas quais se lia Av. Alberto Andaló, não sei se nome de algum conde, duque ou príncipe de Vossa corte”.

Pela cara que fez, Caminha não gostou do meu celular, nem de mim. Se não podia descrever todos os homens que via como escreveu um dia, de cabelos lisos e beiços furados, por certo haveria de relatar a posse “por todos esses novos seres, de um retângulo luminoso no qual tocavam como se debulhassem feijões, miravam para pessoas e coisas, como em prontidão para lhes dar tiros, ou saíam a falar com a coisa, feitos loucos a conversar às tontas”.

Bem informado, mas pouco dado ao contato e, presumo, com o receio armado para com essa nova gente, Pero mirou-me de cima embaixo. Estranhou-me as vergonhas cobertas por calça dura de tecido azul, e deve ter concluído que as tribos mudaram desde aquele maio de 1500.

Intuiu o escrivão e me disse hesitante: “nas outras vezes em que cá estive percebi que diziam alhos e bugalhos de seus reis, mas lhe confesso que nunca presenciei tanta falcatrua junta. E olha, já fomos bons nisso! Exploramos os mundos, tomamos-lhes os ouros e riquezas, dizimamos seus nativos atrevidos, mas era tudo às claras”. Sem saber bem o que lhe dizer, guardei o celular no bolso. Pois é, Seu Pero, a gente que vive para escrever aos outros às vezes tem que imaginar que a terra “é tal maneira graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”. Deu no que deu. Tudo é tão inverossímil, que é até capaz de duvidarem desta nossa conversa.

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