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Diário da Região

20/03/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

José Luís Rey: Fulano de tal

Painel de Ideias

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– Qual é o nome da senhora? – perguntou a recepcionista atenciosa do consultório médico.

– Uberlândia – respondeu a mulher de meia idade, tom de voz bem contido, prevenida contra ouvidos curiosos.

– ... A cidade, não, minha senhora. Eu perguntei o seu nome – replicou a moça, ainda cheia de gentilezas, um olho na tela do computador e outro na figura à sua frente.

– O meu nome é Uberlândia. Nasci lá, meu pai me batizou em homenagem à cidade.

A mocinha digitou o nome e repetiu a pergunta para a outra mulher encostada no balcão – irmã da primeira.

– E a senhora? Seu nome, por favor...

– Araguaína – respondeu, esclarecendo de uma só vez a identidade e o local de nascimento.

Bonita a homenagem que o pai de Uberlândia e Araguaína prestou às duas cidades, trazendo para o âmbito, digamos, municipalista o sempre complicado e polêmico critério de escolha dos nomes dos filhos, em vez de se inspirar, como quase todo mundo, em personagens bíblicos ou gente famosa. Além de inovar nesse ponto, ainda inverteu uma tendência clássica: normalmente, são as pessoas que acabam tendo seus nomes emprestados às cidades, não o contrário.

Astros cinematográficos de Hollywood também andam batizando crianças brasileiras há gerações. Há muitos anos, conheci um cidadão, na Vila Maceno, cujos pais tinham sido fãs ardorosos da atriz e dançarina Ginger Rogers, famosa pelos musicais em que se notabilizou ao lado de Fred Astaire. Decidiram que a filha que estava para nascer receberia o nome da estrela. Veio o menino. Virou Vanderlei Ginger Rogers.

A sueca Ingrid Bergman – musa, com Humphrey Bogart, de Casablanca, o filme que se tornou uma instituição do cinema romântico – certamente inspirou a família Bérgamo, de Potirendaba, a batizar com o nome da atriz uma de suas filhas. E a doutora Ingrid Bérgamo é hoje uma conhecida psicóloga de nossa região.

Já o craque de futebol Jair da Rosa Pinto foi o causador involuntário de uma pequena confusão familiar nos anos 1950, quando o sitiante Sebastião Teixeira da Costa (pai do ex-vereador Laerte Teixeira da Costa) avisou a todo mundo que seu terceiro filho se chamaria Jair, em homenagem ao ídolo do Vasco da Gama e da Seleção Brasileira. No caminho até o cartório de Neves Paulista, passou pela casa de parentes, que o demoveram da ideia. “Teu filho tem que ter nome de santo”, ouviu e refletiu, até decidir-se por Sebastião Filho.

De volta para o sítio, guardou a certidão numa gaveta e não comentou com ninguém a mudança de planos. Semanas depois, quando a visita de uma tia do menino esclareceu a confusão, a mãe, dona Olívia, não se conteve:

– Eu nunca vou chamar esse menino de Sebastião!

E Sebastião, de direito, é Jair, de fato, até hoje.

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