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Diário da Região

13/12/2014 - 01h04min

 

Há música no ar

 

"Vida comprida, estrada alongada, parto à procura de alguém, à procura de nada, vou indo caminhando sem saber onde chegar, talvez que na volta te encontre no mesmo lugar". Eu caminhava por uma estrada, talvez a estrada de meus sonhos, longe da falação sobre as mazelas e os descalabros da má política, quando fui surpreendido por uma voz alucinatória, que me trazia aos ouvidos a velha história dos caminhos e descaminhos da vida. E caminhando eu pensava em minha eterna namorada, da aurora ao ocaso do tempo, para lembrar que "seus olhos têm que ser só de meus olhos, os seus braços o meu ninho no silêncio de depois, a estrela derradeira, velha amiga e companheira, no infinito de nós dois". Porque, eu pensava, desde o início dos tempos eu queria enfeitar-lhe a vida, o sol, a noite, e tinha que pedir à natureza "a rosa mais linda que houver, a primeira estrela que vier para enfeitar a noite de meu bem". E queria mais, muito mais, queria "a paz de criança dormindo e o abandono de flores se abrindo, para enfeitar a noite de meu bem, a alegria de um barco voltando, e a ternura de mãos se encontrando", tudo para continuar enfeitando a noite de meu bem. Eu continuava em êxtase alucinatório, a voz em meus ouvidos(ou seria em minha alma?), a noite encorpando o mundo, a primeira estrela que pedi em quase silêncio, falou-me da cabrocha dos tempos idos, quando ainda longe das UPPs e do tráfico, "a porta do barraco era sem trinco e a lua furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão" e era por isso que eu via na poesia das horas que"tu pisavas nos astros distraída, sem saber que a ventura desta vida" era você, "a cabrocha e o luar e o violão".


Era o tempo do morro, mas havia tempos de mar e de deserto. E neste tempo das ondas, lembrando de você, eu via com olhos de romance que "um pequenino grão de areia, que era um pobre sonhador, olhou pro céu, viu uma estrela, imaginou coisas de amor". E pensei, então, na possível alegria da estrela do mar nascida, quem sabe, desta provável união, pois, "se houve alguma coisa entre eles dois, ninguém soube até hoje explicar , o fato é que depois, muito depois, apareceu a estrela-do-mar". Meu sonho talvez explique. Talvez explique, minha amada, porque "perto de você me calo, tudo penso e nada falo,, tenho medo de chorar", então lhe peço como último desejo, até com medo que me obedeça e se afaste de verdade, querendo que me diga que "você me adora, que você lamenta e chora a nossa separação", então não me diga jamais "tudo acabado entre nós, já não há mais nada", mas que eu não me curve às manhas do destino e não viva o estorvo do fim em plena madrugada, não partir, não partir, não partir... Porque partir é adeus, "cinco letras que choram num soluço de dor, é como o fim dessa estrada chegando na encruzilhada, ponto final de um romance de amor". Não, não quero assim nenhum capricho do destino, mas que a manhã que se prenuncia seja "uma tão bonita manhã", nova aurora para que venha "na vida uma nova canção" como paz de criança dormindo.


WILSON DAHER Psiquiatra; Rio Preto


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