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Diário da Região

26/08/2015 - 00h00min

Painel de Ideias

Eu tenho um sonho

Painel de Ideias

NULL Anna Cláudia Magalhães
Anna Cláudia Magalhães

Ouvir uma história triste contada pela boca de quem a viveu é como uma facada no coração. A senhora Nanette Konig relatou em uma palestra na semana passada em Rio Preto os horrores vividos por ela durante o Holocausto. Duas falas da sobrevivente me marcaram bastante.

Na primeira, ela disse que achava algumas situações no Brasil parecidas com o genocídio dos judeus. Na segunda, pontuou que naquela época foram a ignorância e a falta de conhecimento as maiores causas de seres humanos terem se transformado em monstros que exterminavam pessoas e que ainda achavam estar fazendo a coisa certa.

No depoimento de Nanette, os relatos sobre a falta de humanidade dos nazistas e como isso foi construído e institucionalizado em nome do poder me chocaram. E então, eu me perguntei: Como as pessoas ainda podem sair as ruas do País pedindo a volta da ditadura militar?

Não é segredo para ninguém, ou pelo menos para quem se interessa o mínimo por História, que a ditadura foi um período de censuras e atos completamente desumanos. Vidas foram perdidas e pessoas torturadas para que a população não pudesse protestar sobre o que quer que seja e para que a arbitrariedade dos que estavam no poder fosse mantida.

Reivindicar a melhora do País é algo justo, já que sofremos há tempos com uma onda de falta de ética e de corrupção sem limites. O que me incomoda nas manifestações atuais é que os horrores que também vivemos foram esquecidos, e as pessoas foram tomadas por uma raiva sem rumo que chega a pedir a morte de governantes, o retorno de cabeças conservadoras e um golpe militar.

As indignações nas ruas são seletivas, ignoram injustiças sociais, apoiam atos cruéis e desprezam a classe trabalhadora, que é a parte mais atingida em um país em crise. Gente que clama por um Brasil melhor para todos é a mesma que retira aos berros do meio da multidão alguém que protesta contra as recentes chacinas em favelas devastadas pela maior e mais tóxica indústria do País, a indústria do narcotráfico.

A suposta luta por um bem comum se transformou em uma batalha de lados, onde sujos erguem bandeiras de justiça e mal lavados se escondem atrás delas. Valores, tão necessários em uma terra sem lei, permanecem perdidos. A união em um país desigual segue esquecida. Eu sonho com o dia em que todos os corruptos que colaboram para a decadência do país e que todos os que se corrompem por conta de cargos, ambição, poder, dinheiro, ou qualquer coisa que seja, paguem. Que sejam todos julgados, que sejam todos condenados. Mas que isso não seja motivado por esquemas políticos. Que as mudanças não sejam comandadas por milhares de mentes ignorantes e sem conhecimento, cheias de ódio e falta de humanidade.

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