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Diário da Região

22/09/2015 - 00h00min

Painel de Ideias

Entre a intolerância, a fuga e o refúgio

Painel de Ideias

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A intolerância representa qualquer ação de ódio sistemático contra indivíduos específicos. Desse ódio à sua maneira de ser, a seu estilo de vida e às suas crenças e convicções, nasce a agressão: verbal, civil, física – xingamentos, castração jurídica, guerras. Da agressão, nascem o medo, a utopia, a fuga. Amedrontados, grupos fogem em diáspora, em êxodos, em estouros humanos que deparam, não raro, com mais ódio, mais cercas e mais muros. Falta-nos a leitura de Umberto Eco: o mundo tem sido percorrido por sopros de intolerância, esperança e desespero.

Há um filme de D. W. Grifith chamado Intolerância: o diretor retrata a questão na Babilônia, na Judéia, em Paris e na América. Respectivamente, o telespectador assiste aos desdobramentos do ódio religioso, da hipocrisia e da reforma pseudomoralista. Um filme crucial para entendermos, por meio da arte, o drama dos refugiados no mundo atual. Fatores religiosos, políticos, culturais, étnicos e até de gênero explicam a questão.

Historicamente, a intolerância nasce de crenças religiosas obtusas e afastadas do princípio cristão de amor ao próximo. José Saramago já condenava a mais criminosa e absurda ação humana: matar em nome de Deus. No livro A Rainha Margot, Alexandre Dumas retrata o massacre da noite de São Bartolomeu, uma versão de guerra santa, como se algo existisse de santo na carnificina oriunda da fé cega. Inquisição, Intifada, Reforma e Obscurantismo. Como bem observou Baruch Spinoza, a violência e a opressão não podem promover a fé. Triste saber que nem todos leram (ou entenderam) a Carta Acerca da Tolerância, de John Locke.

À intolerância religiosa, somam-se a intolerância política, a cultural, a étnica e a sexual. Como quantificar as vítimas de censura ideológica às liberdades individuais? Como explicar as pichações ao Centro de Tradições Nordestinas em São Paulo: “Morte aos Nordestinos!” (cartaz empunhado por um estudante da USP)? Como entender que trotes acadêmicos ainda humilham negros em rituais assemelhados aos praticados pela Ku Klux Klan nas faculdades que darão diploma a nazistas velados? Como equacionar (racionalmente) que a genitália ainda define valoração social, e não o caráter, a competência, o mérito?

A cidade de São José do Rio Preto recebe refugiados sírios. Nas redes sociais, os munícipes organizam campanhas, tecem redes de apoio e dedicam tempo e dinheiro a fim de minimizar o sofrimento dos refugiados. Tudo isso é belo, é louvável. Esperamos que seja o embrião de um novo tempo: um tempo de apoio aos sírios, aos pobres, aos nordestinos, aos negros, às mulheres, aos gays, às pessoas com deficiência, aos idosos, a todos os que, diariamente, fogem e se refugiam simplesmente porque outros grupos majoritários em direitos, em armas, em poder e em arrogância tomam os privilégios e as benesses para si, privando minorias do acesso aos direitos humanos inalienáveis. E você, já fugiu de algo, de alguém, de si mesmo?

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