Diário da Região

03/07/2011 - 00h54min

 

Dor nas costas

 

Dores na coluna vertebral nos segmentos lombar, torácico ou cervical atingem 80% da população em alguma época de suas vidas. Isto é muito mais que uma epidemia, é quase uma hecatombe - felizmente não mortal, mas que leva os pacientes a grande sofrimento e à perda expressiva da força de trabalho. Estas dores são, na sua imensa maioria, de origem músculo-esquelética, raramente tendo como substrato uma enfermidade orgânica de maior gravidade. Existem doenças que podem manifestar-se com dores na coluna, como as hérnias de disco, mielomas múltiplos, tuberculose óssea e metástases de tumores, principalmente de mama ou próstata. Felizmente, tais ocorrências são raras, se as compararmos com as dores simples, que não ameaçam a vida. Normalmente, quando doenças sistêmicas atingem a coluna, muitos outros sinais e sintomas já estão presentes. Talvez o maior mal que decorra das dores na coluna seja a postergação do tratamento, pois existe uma cultura viciada em solicitar muitos exames de imagem como radiogramas, tomografia computadorizada de alta resolutividade e ressonância magnética, entre outros. Pelo alto custo destes exames, que são realizados em equipamentos importados, comprados por verdadeiras fortunas, a disponibilidade é limitada, principalmente para o setor público. A despesa não fica só na aquisição dos aparelhos, pois sua manutenção também é cara. Assim como são dispendiosos os contrastes empregados. Cabe, assim, um alerta para a reflexão sobre exames complementares desnecessários com reflexo para os cofres públicos e afastamento do trabalho.


Pagamos um alto preço por teimarmos em ser bípedes, apesar de não termos sido programados para esta postura. A adaptação só foi possível dotando a coluna de um conjunto de curvas que desafiam a engenharia e uma musculatura de sustentação muito forte.Estudo realizado por alunos de Pós-Graduação Lato Sensu em Fisioterapia da Famerp, com 3.508 usuários de 23 Unidades Básicas de Saúde em 13 cidades do interior do Estado de São Paulo, mostrou que cerca de 80% deles têm dor, sendo a esmagadora maioria de origem músculo-esquelética, predominantemente na coluna vertebral lombar. Estes dados permitiram-nos a publicação de um livro, com as devidas recomendações que infelizmente não são seguidas. A intenção foi de que os médicos encaminhassem os pacientes com dores por alterações funcionais - não só da coluna, mas também dos membros superior e inferior - para a reabilitação física. Espera-se que a maioria melhorará antes da realização dos exames, que muitas vezes são marcados com prazos absurdos de seis ou oito meses. Será que esses exames são necessários para a maioria que chega com dor? Os pacientes ficam meses afastados do trabalho, aguardando o agendamento dos exames com sua incapacidade em franca piora por desuso e desconhecimento do mal que os acomete. Tais condutas os levam a deixar de fazer atividades diárias básicas, criando um círculo vicioso difícil de ser rompido. Tudo poderia ser resolvido com facilidade e conforto, pois em nossa cidade dispomos de uma rede superlativa para atendimento deste mal do século. São eles o Núcleo Municipal de Saúde, ARCD, Rede Lucy Montoro e instituições de ensino superior como Famerp, Unorp, Unip, Unilago e Unirp. Infelizmente, muitas vezes queremos usar o que não temos, quando dispomos de soluções simples e efetivas.


DOMINGO BRAILE Professor emérito da Famerp e Unicamp. Diretor da Pós-Graduação da Famerp. Editor da Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura.


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