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Diário da Região

22/09/2015 - 00h00min

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Diálogo: eis a questão

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Certas colocações linguísticas que se impõem como verdades absolutas são impróprias numa democracia, pois esta se alicerça na liberdade de expressão, que abre espaço à contestação, ao contraditório, pressupondo o diálogo. São frases marcadas pelo estilo autoritário do passado, com a clara intenção de fazer calar aos que se opõem. Algo inadmissível, sobretudo quando se trata de encontrar soluções para a coletividade, num dado contexto físico, político e sociocultural.

No caso da construção do terminal urbano na Praça Cívica, faltou o exercício deste precioso instrumento de troca de ideias, de persuasão isenta, fruto da lógica consensual que, indo além dos poderes constituídos, alcança parcelas significativas da população e segmentos especializados importantes da sociedade.

A ‘carta aberta’ à população (Diário, 9/5), contra o local da referida obra, reúne representantes de diferentes campos de atuação, voltados à arquitetura e urbanismo. Respondem por instituições idôneas, legalmente credenciadas, como entidades de classe e centros universitários. Esses atores de competência reconhecida, no que tange à organização das cidades e preservação ambiental, deveriam ter sido convocados à mesa em que se definiu o local para a edificação do terminal urbano.

A administração pública não deve se fechar num círculo político e tecnoburocrático, mas lastrear suas decisões num conhecimento plural, contemplando outras vertentes do saber, à altura de opinar e contribuir.

Pela consistência do teor e idoneidade dos signatários, a ‘carta aberta’ deveria motivar a retomada da questão à luz de um conceito inequívoco de cidade sustentável, assegurando respeito ao Plano Diretor do município.

É antidemocrático considerar essa discussão esgotada, sem que dela participem os representantes daqueles que discordam.

As praças são um capítulo à parte na história das cidades. São lugares privilegiados de sociabilização. São oásis em meio à aridez do concreto e do asfalto, embelezando, despoluindo, amenizando a temperatura ambiente.

Não há nada de errado com as praças. O abandono nada mais é do que o reflexo de uma gestão pública excludente, incapaz de conciliar o atendimento das necessidades materiais imediatas (obras), e daquelas culturais, formativas, de cunho intelectual e ético, tão essenciais à promoção do ‘status quo’ da sociedade.

A preservação e otimização dos espaços de convivência, lazer e cultura, como as praças, são estratégias modernas e imprescindíveis.

Se ao invés de importarmos o nome ‘Central Park’, absorvêssemos o ‘feeling’ que mantém intocáveis a forma e o conteúdo que ele representa, jamais abateríamos 80 árvores adultas de uma só vez e trocaríamos uma praça por um terminal de ônibus, desconsiderando todos os fatores que mostram a inconveniência deste ato.

Central Park, uma das maiores e mais belas florestas urbanas do planeta, no coração de Nova York, simboliza o amor ao meio ambiente. Nada a ver com devastação, quando pode e deve ser evitada.

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